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Inovação frugal é saída para enfrentar a crise

Valter Pieracciani fala sobre estratégias de inovação que funcionam na crise
Valter Pieracciani fala sobre estratégias de inovação que funcionam na crise

Inovação frugal consiste em tornar o produtos e serviços mais simples e mais baratos, fazendo com que eles sejam acessíveis a um grupo maior de consumidores Na Índia, esse tipo de inovação também é chamada de jugaad innovation. Jugaad é o nome de um caminhão construído com motor de bomba d’água.

“Jugaad, traduzido para o português, seria engenhoca”, afirma Valter Pieracciani, fundador da consultoria que leva seu sobrenome. Desde 1992, Pieracciani trabalha em projetos de grandes empresas brasileiras e multinacionais que atuam no Brasil.

Dentre os projetos recentes de inovação frugal, o consultor citou a Moderninha, máquina de leitura de cartões de crédito e débito do PagSeguro, do UOL. Diferentemente de concorrentes, a Moderninha não é alugada, mas vendida para o estabelecimento, e não tem bobina de papel, o que permite que seja mais barata.

A seguir, trechos da entrevista de Pieracciani ao inova.jor.

Como está a situação dos projetos de inovação hoje?

Trabalhamos com o conceito de inovação na recessão, e temos conseguido coisas interessantes. Estamos nos baseando na inovação frugal. Existem três inovações possíveis em época de recessão: inovação de custo, good enough innovation (em que as empresas mudam os produtos para que eles sejam suficientemente aceitáveis) e inovação frugal. Quando vimos há dois anos que poderia haver um cenário econômico de crise, mergulhamos nisso. Nossa diretora foi para os Estados Unidos, voltou e, há um ano e meio, a gente saiu com essa bandeira de inovação na recessão. E fizemos projetos que foram muito bacanas.

Como a crise afetou a inovação?

A crise redirecionou a inovação. Mas a intensidade de investimentos não diminuiu até agora. Participamos de vários casos interessantes. Não sei se você viu uma máquina chamada Moderninha, da PagSeguro, que fez propaganda na televisão. Aquilo é frugal innovation na veia. Montamos um grupo de 25 pessoas, discutimos os fatores de custos que as máquinas normais tinham, analisamos a demanda, mapeamos o mercado e chegamos a algumas conclusões. A bobina era um fator de custo. Imagina o que é distribuir 500 mil bobinas por dia, praticamente.

Nesse caso, o custo da logística é maior que o das bobinas em si?

Sim. Não é o custo do papel, é o custo da distribuição. Outra coisa: máquinas quebradas que precisam ser recolhidas. Existe todo um aparato de segurança brutal. As máquinas recolhidas vão para uma área segregada. Daí perguntamos: e se a máquina fosse do cliente? Então nasceu a Moderninha.

Foi um projeto de quanto tempo?

Esse trabalho foi rápido. De seis meses mais ou menos. Para você ver o Brasil fazendo frugal. Os craques mesmo são os indianos. Aliás, os centros de P&D que estavam vindo para cá, podem acabar indo para a Índia. Eles são muito bons.

Do ponto de vista do cliente, qual é a vantagem?

As outras máquinas são alugadas. Esta é comprada, e é mais barata. São aquelas coisas de Brasil que dão até arrepio. Estão vendendo máquinas para manicures, personal trainers, taxistas. As lojinhas das comunidades conseguiram entrar no dinheiro de plástico, que era um sonho delas.  Esse é um clássico do frugal. Atingir pessoas que gostariam de estar com aquela demanda resolvida, mas que não teriam condições. Daí se desenvolve um produto mais simples, mais barato e que atende a demanda de uma camada de clientes que está pronta para entrar no mercado.

Por que o senhor citou a Índia como exemplo?

A Índia tem muito disso, o que eles chamam de jugaad, que traduzido para o português seria engenhoca. Alguns traduzem como jeitinho, o que não cai bem. É o nome de um caminhão construído em vilarejos no interior da Índia. Eles pegam um motor de bomba d’água, botam uma correia, prendem direto no eixo do caminhão, com chassi de madeira. Eles usam para carregar as coisas. Você vê aquilo e diz: Meu Deus! Esses caras fizeram uma trapizonga aí. Mas funciona. O que significa isso? Significa pegar o que tem e resolver um problema muito importante.

Caminhão indiano construído com motor de bomba d'água, também chamado de 'jugaad'
Caminhão indiano construído com motor de bomba d’água, também chamado de ‘jugaad’/ Domínio público

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