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MWC2016: Prepare-se para os eletrônicos flexíveis feitos de grafeno

Vincent Barlier, da FlexEnable, demonstrou uma tela flexível / Renato Cruz/Inova.jor
Vincent Barlier, da FlexEnable, demonstrou uma tela flexível durante o MWC / Renato Cruz/Inova.jor

BARCELONA

O grafeno é formado por átomos de carbono organizados numa malha bidimensional, como favos de mel. Na vértice de cada hexágono dessa malha há um átomo. É muito mais resistente que o aço, além de ser um excelente condutor de calor e eletricidade.

Apesar de ser conhecido teoricamente desde meados do século passado, o grafeno somente foi isolado e analisado em 2004, por Andre Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, no Reino Unido. O trabalho garantiu aos dois pesquisadores o Prêmio Nobel de Física, seis anos depois.

Uma aplicação promissora do material são eletrônicos flexíveis. Durante o Mobile World Congress (MWC), em Barcelona, a FlexEnable demonstrou o protótipo de uma tela flexível de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês).

“No lugar de vidro, usamos plástico com propriedades eletrônicas”, afirmou Vincent Barlier, engenheiro sênior de desenvolvimento de negócios da FlexEnable.

A FlexEnable é uma empresa especializada em propriedade intelectual. Ela tem cerca de 150 patentes, que licencia para fabricantes. A capa para iPhone com segunda tela de plástico da PopSlate já usa tecnologia da empresa.

Segundo Barlier, a tela flexível de LCD poderia ser aplicada para a produção de relógios inteligentes. “Cinquenta por cento dos usuários de smartwatches param de usá-los em seis meses”, disse o engenheiro. “Um dos principais motivos é que a tela é muito pequena.”

Um relógio que fosse quase todo tela, como o demonstrado na MWC, poderia ser mais útil, permitindo manter o smartphone mais tempo no bolso. A FlexEnable negocia a tecnologia com outros fabricantes, e a expectativa é que produtos baseados nela comecem a chegar em breve.

Componentes de papel

Etiqueta inteligente impressa em papel comum, desenvolvida pela Graphene Security / Renato Cruz/Inova.jor
Etiqueta inteligente impressa em papel comum, desenvolvida pela Graphene Security / Renato Cruz/Inova.jor

Outra companhia, a Graphene Security, demonstrou uma etiqueta inteligente impressa com grafeno em papel comum. “O grafeno pode ser transformado numa tinta condutora de eletricidade, para ser usado sobre papel ou tecido”, explicou Thanasis Georgiou, vice-presidente da Graphene Security. “O custo é baixo, porque pode ser usada uma impressora comum, que imprime jornais.”

A Graphene Security planeja colocar no mercado suas etiquetas com tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês). A empresa pesquisa incluir outras funcionalidades nessas etiquetas, como sensores de temperatura e batimentos cardíacos.

“No futuro, quando pensamos em internet das coisas, as pessoas poderão ter um telefone impresso na sua roupa”, disse Georgiou. Segundo ele, o principal desafio técnico que a empresa teve de resolver foi a produção de grafeno de qualidade em larga escala.

A Graphene Security planeja colocar suas etiquetas de papel no mercado ainda neste ano.

  • O jornalista viajou a convite da Samsung

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