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Natura: ‘Hackathon ensina a inovar mais rápido’

A sede da Natura, em Cajamar (SP) mantém investimento em Inovação / Divulgação
Sediada em Cajamar (SP), Natura defende manutenção de investimento em inovação / Divulgação

As maratonas de prototipagem, também conhecidas como hackathons, são sucesso em empresas de software e de internet. Essa atividade, no entanto, pode ser adotada por companhias de diversas áreas, como é caso da Natura, multinacional brasileira de cosméticos, produtos de higiene e beleza.

O próximo hackathon da Natura está marcado para os dias 16 a 20 deste mês, em Belém. O primeiro aconteceu em agosto de 2014, em parceria com o Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Gerson Valença Pinto, vice-presidente de inovação da Natura, conversou com o jornalista Renato Cruz, sobre a estratégia de inovação aberta da empresa. Ele defendeu a necessidade de manter os investimentos em pesquisa durante momentos econômicos difíceis.

“Investir em inovação quando tudo vai bem é muito importante, mas, quando estamos num momento desafiador como agora, é ainda mais necessário. Com propostas inovadoras, conseguimos dar a volta por cima nas épocas de crise”, disse Gerson.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como funciona o hackathon numa empresa como a Natura?

Aprendemos que devemos ampliar as possibilidades dos produtos, conectando o mundo físico ao digital e ampliando nossos serviços para além dos cremes, perfumes e xampus. O hackathon possibilita ampliar o olhar do que seja um produto da Natura. O evento também causa um impacto cultural na organização, ao nos ensinar a inovar mais rápido. Em dois ou três dias de hackathon, é possível fazer um protótipo, testá-lo com o consumidor, pedir sua opinião.

Parte do processo é incorporada no dia a dia da empresa?

Sim. Aprendemos que nem sempre precisamos do processo tradicional, que leva tempo. O mundo hoje é muito mais dinâmico. Além dos serviços e produtos tangíveis que entrega, o hackathon reforça muito a questão da colaboração, de trabalhar junto, grande desafio em qualquer grande organização.

Como será o próximo hackathon?

Teremos uma imersão na própria comunidade da Amazônia, para trazer o consumidor para participar do processo e aproximar a floresta da cidade. A experiência anterior era de criar conexão entre o produto físico e possibilidades digitais. Agora queremos que as pessoas vivenciem o ambiente da floresta e das comunidades.

Primeiro hackaton da Natura foi feito em parceria com o MIT / Divulgação
Primeiro hackaton da Natura foi feito em parceria com o MIT / Divulgação Primeiro hackaton teve parceria com o MIT / Divulgação

Qual é a sua visão sobre a inovação no Brasil?

Acho que, nos últimos dez anos, o País avançou bastante na questão de inovação, com leis de incentivos e programas. Mas acho que precisamos dar mais velocidade ao processo. As empresas brasileiras focam muito no mercado doméstico, enquanto que, em países inovadores como Estados Unidos e Coreia do Sul, o foco está no mercado internacional. Não dá mais para desconectar a agenda da inovação do comércio exterior. O mercado internacional, por exemplo, já responde por 30% do negócio da Natura.

Por que é tão difícil empresas brasileiras se destacarem em tecnologia para o mercado de consumo?

Acho que a pergunta vale para tecnologia como um todo. Poucas empresas fazem desenvolvimento tecnológico no Brasil. Para grandes empresas, inovar ainda significa trazer um equipamento de fora ou visitar uma feira. Existe um salto que o Brasil precisa dar. Acho que tem a ver como as empresas querem se posicionar no mercado: quer criar tendências ou seguir tendencias internacionais?

Como proteger a inovação num ambiente econômico difícil?

Esse é um dilema que todos ivemos. Um ambiente mais desafiador força a ter mais foco e isso é bom. É preciso ver o que é essencial para o negócio e manter programas em que se acredita.

Como a Natura tem trabalhado com startups?

Esse é um programa novo, com que trabalhamos há menos de um ano. Num primeiro momento, estamos conhecendo essa rede de startups do Brasil e pensando como podemos nos comunicar com elas. Tivemos algumas iniciativas em que convidamos startups para projetos em que temos interesses estratégicos. Um exemplo é a parceria que fizemos com a Já Entendi, startup de educação que nos ajudou a passar informações técnicas para as nossas consultoras.

Como está estruturada internamente a divisão de inovação da Natura?

São aproximadamente 250 pesquisadores. As atividades receberam, em 2015, investimento de R$ 221 milhões, o equivalente a 3% da receita líquida.

Gerson Valença Pinto é vice-presidente de Inovação da Natura / Renato Cruz
Gerson Valença Pinto destaca a importância da inovação para o comércio exterior / Renato Cruz/Inova.jor

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