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Porto Digital: ‘Inovação depende de políticas públicas’

Empresas do Porto Digital faturam mais de R$ 1 bilhão por ano / Divulgação
Empresas do Porto Digital faturam mais de R$ 1 bilhão por ano / Divulgação

Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, assumiu no final do ano passado a presidência para a América Latina da Associação Internacional de Parques Tecnológicos e Áreas de Inovação (Iasp, na sigla em inglês).

“Não dá para falar em inovação sem iniciativas públicas”, afirma Saboya, em entrevista por telefone ao inova.jor. “A prioridade é criar uma institucionalidade continental e promover  o intercâmbio, com o compartilhamento de boas práticas.”

A América Latina investe somente 1% do Produto Interno Bruto em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Mesmo o Brasil, que ocupa um lugar de destaque na região, destina somente 1,2% para esse tipo de investimento.

Para se ter uma ideia do que isso representa, a Coreia do Sul investe 4,1%, os Estados Unidos 2,8% e a China 2%, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O quadro é tão distante dos países que estão à frente que para alguns dá desânimo”, destaca o presidente do Porto Digital. “Mas existe muita coisa bacana na região que precisa ser estimulada.”

Política de Estado

O próprio Porto Digital é uma iniciativa de grande sucesso. Criado em 2000, conseguiu ao mesmo tempo consolidar um polo tecnológico em Pernambuco e revitalizar o centro histórico do Bairro do Recife.

“O Porto Digital se viu desde o início como uma política de Estado e não de governo”, afirma Saboya. Atualmente, o polo abriga 250 empresas, que faturaram R$ 1,35 bilhão no ano passado.

O Núcleo de Gestão do Porto Digital é uma Organização Social (OS). Saboya destaca que uma das explicações para o sucesso do Porto Digital foi buscar fontes de financiamento fora do Estado.

“O Estado é aportador de contrapartida do que captamos nacionalmente”, explica. “Coloca 2 para termos 10.”

Apesar de particularidades regionais, Saboya acredita que a experiência do Porto Digital pode ser replicada. “O que pode ser replicada é a estratégia de sustentação de projetos”, diz ele. “Temos um time de projetos que apresenta propostas a cada chamada. As OS precisam sair das amarras de seu próprio governo.”

O Porto Digital busca recursos federais, de instituições como a Finep, de emendas parlamentares e até linhas de financiamento internacionais. “Desenvolvemos um projeto de 7 milhões de euros de um fundo da União Europeia”, exemplifica.

Saboya destaca que tão importante quanto conseguir captar recursos é saber gerenciar os projetos e depois prestar contas. “Temos ISO 9001 (certificação de gestão de qualidade), com todos os controles requeridos pelas instituições.”

Há pouco mais de dois anos, foi criado o Portomídia, para acrescentar atividades de economia criativa ao polo de tecnologia da informação.

Saboya: 'É preciso se libertar das amarras do próprio Estado' / Divulgação
Saboya: ‘É preciso se libertar das amarras do seu próprio governo’ / Divulgação

 

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