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‘O choque de realidade é muito bom’, diz Kulikovsky, da Acesso

Criada em 2010, a Acesso oferece cartões pré-pagos / Daniel Lobo/Creative Commons
Criada em 2010, a Acesso oferece cartões pré-pagos / Daniel Lobo/Creative Commons

Quando saiu da presidência da Certisign, em 2008, Sérgio Kulikovsky planejava deixar de ser executivo. Ele pegou seu barco e fez uma viagem com a família. Foi até o Caribe, depois para Portugal e então para Israel, onde morou por oito meses.

Em Israel, matriculou-se na Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele também cursou o Owner/President Management (OPM), em Harvard, nos Estados Unidos, um curso de administração para donos de empresas, com duração de três anos e aulas durante três semanas por ano.

Como investidor, Kulikovsky criou a empresa de cartões pré-pagos Acesso em 2010. “Criei com a cabeça de não trabalhar”, conta o executivo. “Contratei um executivo para comandar a empresa e fiquei no conselho.”

Mas as coisas começaram a dar errado. “Em 2012, falhou uma rodada de investimento e a empresa estava quase quebrando”, conta Kulikovsky.

Um fundo de investimentos desistiu de aportar recursos na empresa e listou 10 razões para não investir. “O choque de realidade foi muito bom”, explica o executivo. “Ele nos forçou a fazer uma reestruturação interna.”

Kulikovsky assumiu então o comando da empresa e começou a tomar medidas para resolver os problemas apontados pelo fundo. “Dos 10, oito pontos eram válidos e dois não faziam sentido”, afirma. “Em um mês, havíamos endereçado todas as questões e resolvido 60% delas.”

No lugar do fundo, a Acesso acertou um novo aporte com investidores pessoas físicas, a maioria executivos do mercado financeiro. Atualmente, Kulikovsky é o maior acionista da empresa, que tem 35 sócios minoritários.

Empreendedorismo digital

Aos 46 anos, Kulikovsky é um empreendedor veterano da internet brasileira. Em 1998, ele criou a NetTrade, primeira corretora virtual de ações do Brasil, vendida para o portal financeiro Patagon.

Depois da NetTrade, Kulikovsky investiu na Certisign, fornecedora de certificados digitais da qual também foi presidente.

Com a Acesso, a ideia era vender cartões pré-pagos para quem não têm conta bancária poder comprar via internet. O público dos cartões acabou sendo maior que esse.

Além dos desbancarizados, os cartões pré-pagos acabaram sendo usados por profissionais liberais para emitir boletos e por empresas para transferir dinheiro para funcionários que trabalham na rua cobrirem despesas como combustíveis e alimentação, entre outros tipos de uso.

A Acesso conta hoje com mais de 500 mil cartões emitidos e 350 mil cartões ativos. Para este ano, a meta é chegar a 1,4 milhão de cartões emitidos. No ano passado, a Acesso faturou R$ 18 milhões e, para 2016, a expectativa é alcançar R$ 40 milhões.

Kulikovsky não enxerga a crise financeira atual como um fator totalmente negativo. “A crise torna a minha vida mais tranquila”, explica. “Chegamos a ter 15 concorrentes, e hoje temos cinco de verdade.”

Cartões: Antes da Acesso, Sérgio Kulikovsky esteve à frente da NetTrade e da Certisign / Renato Cruz/inova.jor
Antes da Acesso, Sérgio Kulikovsky esteve à frente da NetTrade e da Certisign / Renato Cruz/inova.jor

 

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