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‘Risco de ataque digital à Olimpíada é real’

Olimpíada: Sistemas eletrônicos do Rio podem ser infectados, alerta especialista / Allan Grey/Creative Commons
Sistemas eletrônicos do Rio podem ser infectados, alerta especialista / Allan Grey/Creative Commons

Segurança é prioridade para organizadores e participantes da Olimpíada deste ano, no Rio de Janeiro. Tom Patterson, vice-presidente de soluções em segurança globais da Unisys, alerta que, além de garantir a segurança física do evento, o Brasil precisa estar atento a riscos de ataques cibernéticos de grandes dimensões.

Patterson tem larga experiência em segurança cibernética. Antes de trabalhar na multinacional, especializou-se em ataques terroristas em meios digitais, tendo prestado serviços à Agência de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) e à Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil está entre os primeiros no ranking dos países mais afetados por malwares. Segundo estudo da Unisys, o uso intenso das redes sociais sem a devida proteção é o principal fator de contaminação dos equipamentos brasileiros.

Os riscos podem se tornar ainda mais sérios a partir de agora. Segundo Patterson, o País estará mais vulnerável a ataques de grandes proporções nos próximos meses.

“Sem dúvida, os riscos são reais, uma vez que os olhos do mundo estarão no Rio de Janeiro. Alguém com bastante habilidades e motivação pode ser atraído a causar um ataque de alta visibilidade no Brasil”, alerta o executivo.

Internet das coisas

Tendências tecnológicas recentes podem ser um atrativo para criminosos. Segundo o especialista, o crescimento da internet das coisas e das cidades inteligentes exige segurança especializada, para que não sirvam de ferramenta para crimes digitais.

“A ‘superfície de ataque’ (coisas conectadas que podem ser exploradas por criminosos) aumenta exponencialmente. Assim, os riscos são tão elevados quanto os benefícios e conveniência trazidas por esse admirável mundo novo. Mas não se deve ter medo ao ponto de parar os investimentos ou interromper oportunidades.”, explica Patterson.

Olimpíada: Tom Patterson, da Unisys / Divulgação
Tom Patterson, da Unisys / Divulgação

A crescente onda de terrorismo está entre os principais temas em debate para a segurança da Olimpíada. “Infelizmente, como em nossa vida real, os criminosos podem se aproveitar de coisas boas para fazer ações ruins. Os terroristas podem fazer o mesmo. Não vivemos algo de ficção científica, é uma ameaça real. As autoridades devem usar a tecnologia em nome da segurança, monitorando o comportamento de criminosos e terroristas, com plataformas de inteligência para prevenir incidentes e responder a eles. Ou mesmo com uma ferramenta de investigação – ligações de mapeamento, a coleta de informações sobre criminosos e movimentos terroristas e planos.”, explica Patterson.

O governo brasileiro publicou, em março deste ano, a Lei n.º 13.260, popularmente chamada de Lei Antiterrorismo, sob a justificativa de evitar ataques terroristas no Brasil.

Citado como ato de terrorismo, o cibercrime prevê prisão de 12 a 30 anos no País. A penalidade se aplica a pessoas que usarem meios digitais para controlar parcialmente ou totalmente, mesmo que por tempo limitado, áreas como aeroportos, estádios de futebol, hospitais ou serviços públicos como transmissão e geração de energia.

O empenho do governo em garantir a segurança durante a Olimpíada é visto com bons olhos pelo especialista. “É verdade que os esforços estão sendo feitos para evitar e – se necessário- responder a incidentes. Esperamos ver grandes jogos”, conclui o executivo.

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