inova.jor

inova.jor

O que é importante para quem planeja criar uma fintech

Fintech: Empreendedor deve estar preparado para trabalhar muito / Shinichi Higashi/Creative Commons
Empreendedor deve estar preparado para trabalhar muito / Shinichi Higashi/Creative Commons

Conversei recentemente com Guilherme Benchimol, presidente da XP Investimentos, sobre desenvolvimento de fintechs e startups no mercado financeiro.

A maioria das pessoas tem uma ideia e interesse em empreender. “Transformar a minha ideia num negócio de sucesso” é um pensamento constante de muitos jovens e profissionais de mercado.

Mas por onde começar? Em minha conversa com Guilherme, concordamos sobre a importância de começar pequeno, porém com um negócio que tenha possibilidade de escala.

A história da Cedro Technologies, e também da XP Investimentos, não foi diferente.

Baseado nessa conversa e na minha experiência, cito alguns passos essenciais para você verificar a sua iniciativa e lançar uma startup no mercado:

  1. Oportunidade e não necessidade. Empreender é um desafio, mas aqueles que gostam de fazê-lo são geralmente apaixonados pelo que fazem. O lançamento da startup deve acontecer por oportunidade de mercado, e não necessidade pessoal como se recolocar no mercado por estar desempregado ou como alternativa para sair de um emprego improdutivo e sofrível. Quando for começar qualquer negócio, verifique se está fazendo isso por uma oportunidade e não simplesmente porque acha que precisa.
  2. Valores e não simplesmente dinheiro. Certamente todo negócio visa lucro e geração de riqueza. Assim, considerando que a sua ideia é passível de gerar receita, verifique se aquilo que irá fazer representa seus valores de vida e seus sonhos. Muitas pessoas empreendem em busca de dinheiro para ter mais tempo livre, porém, na prática, não é assim. Frases como “quero fazer o meu horário de trabalho”, “quero viajar todos os meses para o exterior” e “quero ter flexibilidade de horário” são um engano.

    Fintech: Leonardo dos Reis Vilela, da Cedro Technologies / Divulgação
    Leonardo Vilela, da Cedro / Divulgação
  3. Entendimento e regulatório. Conheça a si mesmo e, na mesma proporção, o negócio que você está a empreender. Conheça o mercado, seus possíveis clientes, parceiros, fornecedores e concorrentes. Se tem dúvidas sobre o funcionamento de seu mercado, então é preferível se aprofundar e se especializar antes de tomar a decisão de lançar a sua empresa. Conhecer leis e regras do mercado é essencial. Se a sua ideia envolve serviços financeiros ou outros regulados, é fundamental saber o que pode ser feito e quais riscos você pode e está disposto a correr.
  4. Prototipe e valide a ideia. A prototipação e a validação da ideia é um passo fundamental do negócio. Faça o desenho de seu produto. Mostre para os seus amigos e familiares. Valide a sua ideia. Melhore a sua ideia. Apresente-a para possíveis compradores. Peça um feedback honesto sobre o que você está propondo. Permita que as pessoas critiquem. O brasileiro geralmente não gosta de criticar. Por isso, talvez seja importante expressar claramente: “Não fique constrangido. Eu estou aqui, realmente para validar se isto faz sentido ou não. Me dê seu honesto feedback”.
  5. Pessoas. Embora seja possível criar uma startup de apenas uma pessoa (você), em geral as startups têm um time maior. Profissionais de marketing, gestão, talentos humanos, tecnologia, finanças e vendas. Como você pretende estruturar o seu time? Pretende ter sócios no início do empreendimento? Precisa ter sócios para ajudá-lo financeiramente? Defina claramente o tamanho do time, sua capacidade financeira e capacidade de gestão de pessoas. As pessoas certas em seu negócio farão toda a diferença. As pessoas erradas provocarão o seu fracasso. Valorize os seus talentos.
  6. Mercado e Modelos de Negócio. Evite focar o seu produto num mercado pequeno ou grande demais. Equilíbrio é sempre a melhor escolha. O ideal é ter um produto que funcione num mercado maior, mas que possa ser lançado num nicho controlável. Imagine um aplicativo de táxi. No lugar de começar em todo o País, os empreendedores sensatos geralmente começam numa única cidade e depois expandem a atuação. Conheça muito bem o seu mercado. Ele existe ou é um novo mercado que será criado? Tenha ainda um modelo de negócio ou no máximo dois para iniciar.
  7. Tenha um objetivo e uma boa estratégia. Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Defina claramente o objetivo de seu negócio e a sua estratégia. Preocupe-se em selecionar indicadores e metas que atestem se seu alvo foi alcançado. Seja modesto na quantidade de KPIs (indicadores chaves), e esbanje no volume de métricas. Elas serão o suporte para os seus indicadores.
  8. Parceiros de mercado. Recentemente escrevi um artigo sobre a importância do desenvolvimento de parcerias e canais, pois, afinal, ninguém faz negócio sozinho. Estabeleça parcerias e alianças. Gerencie os relacionamentos de maneira a gerar ganho mútuo para as partes. Uma parceria é realmente funcional quando todas as partes saem ganhando, inclusive o cliente. O mundo se conectou. Conecte-se ao máximo de pessoas e organizações que possam gerar frutos em conjunto com você.
  9. Parceiro tecnológico. A tecnologia é parte fundamental de qualquer empresa. Para startups e fintechs, a tecnologia é imprescindível e permeia toda a estrutura. Como a escolha do parceiro tecnológico acontece no início do projeto, isso pode implicar riscos de médio e longo prazos não mapeados. Procure um parceiro de tecnologia que consiga atendê-lo no início, e que consiga caminhar com você durante o desenvolvimento de sua startup.
  10. Trabalho. Se você chegou até a este passo com conforto, é porque tem condições favoráveis para empreender. Se prepare para muito trabalho, pelo menos até colocar o avião em velocidade de cruzeiro.
  • Leonardo dos Reis Vilela é presidente da Cedro Technologies

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Ericson Scorsim lança o livro eletrônico 'Direito das Comunicações' / Divulgação

Como o direito das comunicações afeta as empresas

Apesar de usar intensivamente os serviços de comunicações (telefonia, internet e televisão), o brasileiro ainda conhece pouco as leis que regulamentam essas atividades e as obrigações das empresas do setor. Diante da escassez de livros sobre o tema, o advogado Ericson M. Scorsim, especialista em Direito das Comunicações, lançará nova[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami