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Oi aposta em aplicativos após pedido de recuperação judicial

Oi investe em transformação digital para cortar custos e aumentar produtividade / Divulgação / Cristina Lacerda
Oi investe em transformação digital para cortar custos e aumentar produtividade / Cristina Lacerda/Divulgação

Com uma dívida de R$ 65,4 bilhões discutida em processo de recuperação judicial, a operadora de telecomunicações Oi foi buscar inspiração nas startups para tentar sair da crise.

A reformulação estrutural da companhia ocorre desde janeiro, com a criação de um departamento digital, chefiado por Maurício Vergani, diretor de Estratégia e Transformação do Negócio da Oi.

A empresa tem hoje aproximadamente 70 milhões de clientes, sendo a maior companhia de telefonia fixa e a quarta em telefonia móvel no Brasil.

“Na parte digital, substituímos os departamentos tradicionais por times multidisciplinares, com metas de tarefas a serem entregues entre duas e quatro semanas. Com isso, traremos melhor experiência para o usuário, aumentaremos a produtividade e diminuiremos custos”, disse Vergani.

As semelhanças com os modelos estruturais de startups não são por acaso. Segundo o executivo, a Oi investiu em consultorias e encontros com startups nacionais e do exterior para tentar melhorar o seu modelo de negócio.

Num cenário de crise, a empresa esforça-se para manter o índice de confiança dos clientes e evitar quedas nos números.

Dúvidas dos clientes

Bernardo Winik, diretor de Varejo da Oi, garante que não houve diminuição no número de vendas e contratações de serviços após o pedido de recuperação judicial.

“Não vemos muito impacto no nosso mercado, mas é claro que há alguns clientes nos ligando para perguntar. O que fazemos é explicar que o processo está relacionado com credores e não com clientes”, afirma.

Para acalmar os ânimos dos usuários, Vergani disse que a Oi divulga regularmente boletins sobre o processo judicial por meio de canais de relacionamento como mensagens de texto e correio eletrônica.

“Monitoramos quais são as principais dúvidas e temores dos clientes e os deixamos inteiramente informados sobre as etapas e acontecimentos do processo”, disse o diretor de Estratégia.

A empresa aposta ainda no uso de aplicativos para melhorar o relacionamento com os usuários e diminuir os custos.

Os modelos de startups inspiraram os novos escritórios da Oi / Divulgação / Cristina Lacerda
Os modelos de startups inspiraram os novos escritórios da Oi / Cristina Lacerda/Divulgação

O aplicativo Oi Livre, por exemplo, foi desenvolvido para clientes pré-pagos da operadora. Com ele, é possível realizar recargas via cartão de crédito, controle de saldo, dados e minutos.

“Queremos evitar que o cliente perca tempo indo até um ponto de venda para repor créditos no celular”, explicou Winik. “Para isso, criamos esse aplicativo de fácil uso e que não precisa de dados para ser usado.”

Voltado para micro e pequenas empresas, o Oi Mais Empresas é outra aposta de redução de custos. O aplicativo promete fazer contratos de serviços sem precisar ir a um ponto de venda ou contato com o call center.

O modelo utilizado nesse aplicativo é o semelhante ao de fintechs (empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros), como Nubank. O usuário utiliza a câmera do celular para enviar fotos de documentos pessoais que são usados no contrato.

Outros dois aplicativos são apresentados como formas futuras da empresa economizar ainda mais dinheiro.

O aplicativo Técnico Virtual ensinará os próprios usuários realizar diagnósticos e resoluções remotas em serviços de banda larga. A expectativa da empresa é diminuir em até 40% o número de atendimento de técnicos em domicílios.

A produtividade dos técnicos também será avaliada em um aplicativo de gestão da Oi. O Oi Colaborador de Campo registrará o ponto do funcionário remotamente e a geolocalização do técnico, além de permitir algumas atividades como configuração remota de links de dados corporativos.

A expectativa é de economizar R$ 30 milhões por ano.

Outras apostas

A empresa pretende avançar ainda em áreas que vão além da telecomunicação.

O portal Oi Mais Saúde, por exemplo, oferecerá serviços de apoio a medicina como carregar prontuários, informações de medicamentos, dicas de saúde e de tratamento.

A segurança e o monitoramento são os campos de trabalho da Oi Smart. A plataforma pretende realizar o monitoramento de residências e veículos à distância.

“Ambos os projetos terão startups trabalhando nesse ecossistema com a gente. É importante entender que não é um projeto exclusivo da Oi, mas uma encubadora onde a gente vai colocar os serviços dessas empresas na nossa plataforma”, diz Vergani.

A estimativa é que as duas plataformas estejam disponíveis até o fim do ano para clientes Oi e das demais operadoras.

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