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Quais são os riscos criados pelo Pokémon Go

O jogo Pokémon Go popularizou a tecnologia de realidade aumentada / Karl Baron/Creative Commons
O jogo Pokémon Go popularizou a tecnologia de realidade aumentada / Karl Baron/Creative Commons

Pokémon Go está prestes a se tornar o jogo para celular mais popular de todos os tempos. Ele já atingiu esse marco nos Estados Unidos e está dominando todos os mercados nos quais foi disponibilizado.

O jogo uniu jogadores ocasionais, fãs da série original, colegas, pais e amigos. Também incorporou a realidade aumentada no dia a dia — algo que somente o Snapchat tinha feito antes, com filtros que alteram o rosto dos usuários.

Ainda assim, o jogo levantou questões de segurança desde seu lançamento, afetando a integridade física e digital das pessoas.

Devido à sua popularidade, porém, ninguém parecia se importar muito com isso. Embora muitas preocupações tenham sido corrigidas e tratadas, o lançamento é um lembrete importante de que quando algo popular varre o mundo, as pessoas parecem estar tão contentes que abrem mão da cautela.

Aqui estão exemplos de como os jogadores do Pokémon Go ignoram o bom senso e colocam em risco a segurança na sua busca para pegá-los.

Pego de surpresa

Desde seu lançamento, no Brasil, em 3 de agosto, vários casos de furto de aparelho de celular têm acontecido diariamente por conta da distração com a segurança e a concentração com o game.

Chega a impressionar o volume de jogadores hipnotizados vagando pela Avenida Paulista, em São Paulo, sem qualquer atenção com o mundo ao redor.

Muitos incidentes já foram relatados sobre pessoas atraídas para um local perigoso da cidade a que não costumavam ir e que acabaram roubadas.

No dia 5 de agosto, um adolescente de 14 anos que jogava Pokémon Go teve o celular roubado e lutou com o suspeito em Linhares, no Espírito Santo.

Em Goiânia, aconteceu uma situação semelhante. Um estudante de direito de 22 anos teve o celular roubado, em 3 de agosto, enquanto capturava monstrinhos num pokéstop, um dos pontos espalhados pela cidade para os usuários encontrarem pokémons.

Pokémon Go: Ernesto Haikewitsch, da Gemalto / Divulgação
Ernesto Haikewitsch, da Gemalto / Divulgação

Negligência infantil

Embora sair correndo do seu carro, deixando-o aberto, para pegar um Pokémon raro seja um ato estúpido, deixar seu filho do lado de fora, sozinho, sob o calor do verão americano e sem água durante horas enquanto você procura o Pikachu, parece algo imperdoável.

Infelizmente, isso aconteceu no Arizona e após a detenção do casal, o delegado local rotulou as atitudes como algo que ia “além da compreensão”.

Conhecimento básico

Parece haver algo instigante em capturar monstrinhos, fazendo com que as pessoas vejam aquele pokéstop ao longe e comecem a andar apenas para ter uma chance de progredir um pouco mais no jogo.

No Brasil, alguns registros de incidentes e acidentes já foram noticiados. Um jovem foi atropelado, uma caiu num rio e outro num lago em Curitiba, enquanto tentavam pegar monstrinhos.

Ao ficar deslumbrada com a caça, uma adolescente se arriscou perto do barranco de um rio, escorregou e foi parar dentro do canal. Os três jogadores paranaenses passam bem.

Segurança Digital

O Pokémon Go foi lançado inicialmente na Austrália e nos Estados Unidos, mas, desde o começo, as pessoas de outros países já estavam desesperadas para jogar.

Para os usuários do iPhone havia uma solução que enganava a App Store, fazendo-o achar que o telefone do usuário estava registrado nos EUA ou na Austrália. Para os usuários do Android, entretanto, isso foi muito mais simples.

Graças ao sideloading, os jogadores puderam baixar uma cópia do jogo dos EUA ou da Austrália, e instalá-lo eles mesmos – ignorando a Google Play Store.

O único problema era que muitos desses downloads não oficiais estavam cheios de malware e infectaram milhares de telefones. Entre outras coisas, os hackers conseguiam acesso a todos os contatos, mensagens e podiam realizar ligações à distância sem o jogador saber.

As pessoas foram alertadas sobre os perigos de realizar o sideloading e, em geral, elas até entenderam que não deveriam, mas, quando se trata de Pokémon, nada ficaria em seu caminho.

Concessão de permissões

Quando baixa um aplicativo, você é informado exatamente sobre o que o ele faz. Às vezes, você instala um jogo e ele pede acesso às suas fotos ou registros de chamadas.

Esse é um alerta perigoso, já que um jogo para celular geralmente não tem qualquer necessidade de fazer tais solicitações.

No entanto, os usuários da Apple aceitaram as permissões requisitadas pela Niantic sem pensar. Os programadores do jogo acidentalmente solicitaram mais permissões do que precisavam, relativas às contas Google dos jogadores.

Embora apenas fossem necessários um nome e e-mail para fazer uso dos recursos de localização geográfica, o jogo abriu um universo muito maior, incluindo a capacidade de:

  • ler todos os e-mails;
  • enviar e-mail da conta do jogador;
  • acessar todos os documentos no Google Drive, inclusive a capacidade para excluí-los;
  • acesso ao seu histórico de pesquisa e histórico de navegação do Google Maps; e
  • acesso a quaisquer fotos privadas armazenadas no Google Fotos.

Felizmente, os desenvolvedores do jogo perceberam isso, confirmaram que o aplicativo não fazia qualquer uma dessas coisas e emitiram uma atualização para remover as permissões excessivas.

No entanto, isso mais uma vez mostra o quão fácil é para um app ter acesso e controlar seus dados se você não tiver cuidado. Comprovando a pouca atenção que as pessoas dão tanto a isso quanto aos termos e condições.

Considerações de privacidade

Muitas pessoas afirmam que preservam a sua privacidade, então desativam a localização e outros serviços de rastreamento. Mas, o Pokémon Go exige que uma enorme quantidade de dados potencialmente sensíveis seja enviada de volta para os desenvolvedores do jogo – nome, idade, correio eletrônico, localização.

Algumas pessoas questionaram o que a Niantic planeja fazer com os dados. Na política de privacidade, a que os jogadores não dão a devida atenção, Samantha Allen, do Daily Beast, diz que a Niantic pode “entregar os dados para as agências de segurança pública, vendê-los, compartilhá-los com terceiros e até mesmo armazená-los em países estrangeiros com uma legislação fraca sobre privacidade.”

Além disso, esse enorme banco de dados é altamente atraente para hackers e, se invadido, pode resultar em casos de roubo de identidade em massa.

Especialistas em segurança pressionam a Niantic para saber como a empresa criptografa e armazena os dados, e estão receosos de que o grande sucesso do jogo tenha sido uma grande surpresa para o desenvolvedor, que pode não ter levado a segurança em consideração da forma adequada.

O Pokémon Go é um grande exemplo de como as pessoas ignoram a sua própria proteção por algo que eles gostam.

A Niantic tem enviado avisos para as pessoas não jogarem e dirigirem simultaneamente, tomando sempre muito cuidado por onde andam, e manterem-se em segurança ao jogar, mas uma coisa é certa: as discussões sobre segurança e proteção para os usuários desse jogo estão apenas começando.

  • Ernesto Haikewitsch é diretor de marketing e comunicação da América Latina da Gemalto

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