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5G traz as comunicações móveis para a era do gigabit

O Brasil precisa definir frequências e participar ativamente da definição do padrão de 5G / Ericsson/Divulgação
O Brasil precisa definir frequências e participar ativamente da definição do padrão de 5G / Ericsson/Divulgação

A quinta geração (5G) coloca as comunicações móveis na era do gigabit. A tecnologia deve permitir acessos a 1 gigabit por segundo (Gbps), velocidade conseguida atualmente em acessos fixos de fibra óptica.

Além disso, é componente essencial da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), ao oferecer latência (tempo de resposta) menor que o 4G, possibilitando aplicações como carros autônomos e telemedicina.

O padrão do 5G deve ser definido até 2019 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), o braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para setor.

Apesar disso, espera-se que a tecnologia seja testada durante a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. E algumas operadoras de telefonia móvel dos Estados Unidos já anunciaram que devem testar o 5G com alguns consumidores no ano que vem.

No Brasil, a expectativa não é tão animadora. Faltam definições sobre novas frequências, até para que o País possa participar ativamente do processo de padronização.

E, com pouca densidade ainda no 4G, o mercado nacional acredita que a nova tecnologia demore mais tempo para chegar.

Dados da Anatel apontam que, até agosto deste ano, apenas 513 municípios contavam com cobertura 4G. Essas localidades abrigam 55% da população brasileira.

Christopher Torto, presidente da Ascenty, acredita que os próximos anos serão de preparação do mercado para a chegada do 5G.

“Não é possível comparar o Brasil aos Estados Unidos, pois estamos uns cinco anos atrás deles em relação a essa tecnologia. As operadoras brasileiras sequer conseguiram amortizar os investimentos feitos em 4G. Não vejo o 5G no Brasil a não ser, é claro, em algumas poucas regiões de São Paulo, por exemplo. Mas a expansão vai demorar bastante tempo aqui”, diz Torto.

Amortização de investimentos

O cenário econômico brasileiro também não facilita esse processo. Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que, com a crise, a transição pode demorar.

“Se levar em conta que a perspectiva de amortização dos custos, a tecnologia fica inviável e muito mais cara” diz o professor.

Além do tempo necessário para a amortização dos investimentos em 4G, o setor passa por momentos de mudanças na regulação, o que tira o foco das discussões do 5G no País.

Especialista em telecomunicações, a advogada Ana Claudia Beppu diz haver pouca participação do Brasil nas discussões nacionais e internacionais sobre a implantação e regulação das novas tecnologias.

“O Brasil começou a se integrar as discussões muito recentemente, apenas em nível de governo, com ações do MCTIC. O setor hoje está muito mais voltado às discussões de mudança do modelo”, diz Beppu.

Entre as ações governamentais voltadas para esse tema, está uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a União Europeia. O acordo promove seminários para a discussão de temas como 5G e IoT no Brasil.

“O debate entre esses dois governos ainda acontece de forma muito incipiente, mas o governo tem buscado alternativas. Com a expectativa de criação do Plano Nacional de IoT pelo MCTIC, as discussões sobre 5G devem tomar força”, defende a advogada.

Para empresas do setor, cabe ao governo liderar a participação do País nas discussões internacionais.

Aluizio Byrro, presidente do conselho consultivo da Nokia no Brasil, destaca a importância da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel) na tomada de decisão.

“Acho bem importante que a Anatel comece a discutir o assunto. Seria importante, por exemplo, que a gente conseguisse liberar a faixa de frequência abaixo de um giga-hertz. Num país com as dimensões do Brasil, principalmente no interior do País, precisamos de frequências baixas”, diz Byrro.

Uma das principais definições da padronização são as faixas de frequência para o 5G. No Brasil, as operadoras aguardam ainda a liberação da frequência de 700 MHz para o 4G, que depende do desligamento da TV aberta analógica.

Gustavo Gachineiro, vice-presidente de assuntos corporativos da Telefônica Vivo, defende a participação do Brasil nas discussões internacionais sobre frequência como forma de evitar problemas futuros.

“O Brasil tem um grande caminho pela frente com todo esse processo de remanejamento de canais de TVs e de desligar a TV analógica para poder usar o 700 MHz”, diz Gachineiro.

As discussões internacionais apontam a faixa de 700 MHz como uma das que podem ser usadas também para 5G.

Preparação para o 5G

Jesper Rhode Andersen, diretor de Marketing da Ericsson para América Latina e Caribe, explica que o 5G não é somente uma nova tecnologia de transmissão.

A tecnologia traz uma nova estrutura de administração de recursos de telecomunicações, que já começa a ser desenvolvida com o 4G.

“Acho perigoso calcular o 5G como mais um G, achando que é apenas uma geração mais rápida. Na verdade ele é toda uma topografia de rede que fica totalmente diferente”, disse o executivo da Ericsson.

Para Andersen, o 5G vai possibilitar novos modelos de negócio, principalmente de internet das coisas, que já podem começar a ser testados agora.

Uma questão importante do 5G no Brasil é a necessidade de se reforçar a infraestrutura de transporte, para que a tecnologia ofereça realmente uma boa experiência do usuário.

O incentivo à instalação de redes ópticas também seria uma medida de preparação para o 5G, já que a nova tecnologia depende de redes confiáveis e abrangentes.

Para isso, é preciso acelerar o investimento em infraestrutura no Brasil, o que exige modificações na regulamentação, com incentivo ao compartilhamento, coordenação com outros prestadores de serviços públicos (como concessionárias de energia e estradas) e apoio das administrações municipais.

  • Esta é a segunda de uma série de cinco reportagens sobre telecomunicações e inovação, publicadas às quintas-feiras pelo inova.jor. As opiniões expressas nas reportagens não refletem necessariamente a posição da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp).

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