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Como o blockchain cria possibilidades infinitas

O blockchain torna desnecessárias unidades centralizadas de autenticação de dados / Stig Morten Waage/Creative Commons
O blockchain torna desnecessárias unidades centralizadas de autenticação de dados / Stig Morten Waage/Creative Commons

De tempos em tempos, surgem tecnologias que mudam completamente o curso da história. Do carro ao iPhone, não faltam exemplos de ideias disruptivas que transformam a ficção em realidade.

Quem não se lembra do Spock e o seu tricorder (dispositivo portátil de mão para escaneamento), nas aventuras da Enterprise?

Se compararmos ao que nossos telefones fazem atualmente, parece até que estamos à frente. O que vemos hoje com o blockchain é algo similar.

Nascida a partir de uma publicação de um anônimo autointitulado Satoshi Nakamoto, como base para a construção da moeda criptográfica bitcoin, essa tecnologia veio para mudar completamente nossa percepção de computação.

O blockchain é uma lista distribuída de quaisquer informações, em que veracidade e autenticidade das informações são validadas por meio da aceitação das alterações por parte de todos integrantes da rede.

Pode até parecer um conceito simples, mas as implicações, acredite, são infinitas para as mais diversas aplicações. Imagine um livro público, em que todas suas cópias são atualizadas instantaneamente, não importa onde estejam.

A implicação prática disso é a substituição completa de todos os modelos de unidades centralizadas de autenticação de dados.

Portanto, nem cartórios seriam necessários se a legislação passar a adotar um formato de blockchain para reconhecer oficialmente documentos.

Legislação instantânea

Piero Contezini, da Asaas / Divulgação
Piero Contezini, da Asaas / Divulgação

Outro exemplo prático é a legislação de um país.

Com a adoção de um blockchain para o legislativo, poderíamos eliminar por completo as funções de vereadores, deputados estaduais, federais, senadores e quaisquer atores envolvidos na formulação e votação de leis.

Os próprios cidadãos poderiam submeter um novo projeto legislativo via blockchain e, se uma parte significativa dos outros cidadãos concordarem, a lei passa a valer sem a necessidade de nenhuma entidade central para aprovação dela.

O Canadá pode se tornar o primeiro país a adotar esse modelo de gestão legislativa descentralizada e autônoma.

Foi lá que surgiu a tecnologia de blockchain que deve dominar todas as outras nos próximos anos. No evento do Founder Institute no Vale do Silício, em junho deste ano, uma comitiva do Canadá já falava sobre a tecnologia.

Chamada Ethereum, foi desenvolvida por uma fundação com o objetivo de difundir a tecnologia para o usuário final. É uma mistura de criptomoeda e linguagem de desenvolvimento.

Dessa forma, o dinheiro pode conter um código que será executado a partir de parâmetros contidos nele mesmo.

Isso é disruptivo, porque torna possível executar o que se tem chamado de smart contracts, pedaços de código que podem agir de forma completamente autônoma, sem a possibilidade de intervenção humana fora do que foi programado previamente.

Porém, há diversas divergências sobre o modelo e inclusive a própria Ethereum teve alguns problemas com esta funcionalidade.

Apesar disso, esse tipo de contrato deve se tornar o padrão de acordos comerciais, dos mais simples aos mais complexos.

É provável que no futuro até mesmo os advogados sejam substituídos por programadores. Se, por um lado, algumas profissões podem esperar para ver o impacto disso a longo prazo, as empresas de tecnologia precisam começar a discutir o tema o quanto antes.

Aqui no Asaas, estudamos seriamente a tecnologia da Ethereum para podermos migrar nossas operações financeiras para o blockchain.

Como ele garante confiabilidade e a possibilidade de validação descentralizada, nós o vemos como caminho para tornar nosso produto cada vez mais robusto e confiável, ainda que o usuário final não entre em contato com a tecnologia, que está no background.

Mais segurança e menos custo

No Brasil, alguns núcleos já estudam a blockchain e suas ramificações. Um deles é o Jupter, de Curitiba, onde concentram-se empresas aceleradas que querem operar baseadas nessa tecnologia.

Além dos centros, grandes bancos como Santander e Bradesco já estão de olho na tendência para aumentar a segurança das suas operações e diminuir custos.

Com certeza, veremos grandes mudanças na web nos próximos anos, com o uso de smart contracts e modelos descentralizados de persistência de informação.

Como no blockchain é impossível remover informação, parece mesmo que a internet, por si só, resolverá o problema da censura desenfreada do Estado e sua mão pesada.

Assim, não haverá a possibilidade de um juiz derrubar o Facebook porque um post falando mal de alguém não foi apagado.

Na realidade, uma vez que a rede social use a tecnologia, dados postados não serão perdidos. No máximo, apenas novos posts serão impossibilitados de ir ao ar.

Então, prepare-se para a verdadeira web 4.0.

  • Piero Contezini é presidente e cofundador da Asaas

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