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Atenção à governança corporativa deve começar cedo

Boas práticas de governança corporativa facilitam o acesso de startups a investimento / Renato Cruz/inova.jor
Boas práticas de governança corporativa facilitam o acesso de startups a investimento / Renato Cruz/inova.jor

O ambiente tecnológico e suas necessidades constantes de inovação trazem em seu âmago alta ansiedade para cumprir prazos apertados, desde a concepção da ideia até sua materialização e transformação em produto/serviço comercial.

Adicionado a isso, há uma frustração sempre presente: conviver com o fantasma da constante obsolescência.

Muitas vezes, nesse ambiente, vários processos atrelados à governança são omitidos ou “contornados”, gerando processos paralelos.

Sem a necessária disciplina corporativa, os sucessos nem sempre são repetidos em novos desafios.

Clientes e acionistas

Para o acionista e/ou investidor, sucesso é uma combinação de alta satisfação dos clientes (sucesso sustentável) e resultados financeiros e econômicos acima das metas estabelecidas.

Para que os clientes existam e se mantenham satisfeitos em todas as fases de suas experiências de compra (pré e pós venda, qualidade assegurada, assistência técnica, atendimento) é fundamental que os associados – todos – estejam alinhados com o objetivo final de bem servi-los.

Para tanto, é condição necessária que todos vivam relações transparentes, disciplinadas e amigáveis. Esse exercício deve ser estimulado a partir das relações entre os clientes internos.

Alguns ingredientes são básicos para um time vencedor:

  • formação escolar, acadêmica e funcional sólidas;
  • ambiente corporativo que estimule desafios e correr riscos;
  • alta motivação; e
  • ajuda coletiva (top down e bottom up) nos casos de insucesso.

A introdução profissional e supervisionada de boas práticas de governança visa assegurar regras transparentes, incluindo, além daquelas afetas a contabilidade, finanças e controladoria, as relativas à gestão de talentos (identificação, desenvolvimento e retenção), avaliação de desempenho de todos sem exceção, plano transparente de remuneração e participação nos resultados – sempre atrelados a meritocracia, plano de desenvolvimento e treinamento, plano sucessório, entre outros, culminando na criação de um conselho de administração com pelo menos um conselheiro independente.

A introdução dessas práticas demanda decisão e comprometimento dos controladores da empresa. É um investimento de tempo (médio prazo) e de recursos para a adequação de processos em quase todas as áreas da empresa.

No longo prazo, porém, sempre apresenta retorno qualitativo e quantitativo muito acima do investido.

Wilson Otero, da Light Dreams / Divulgação
Wilson Otero, da Light Dreams / Divulgação

Busca de recursos

Com as atuais restrições econômicas (ambiente interno e externo), os recursos financeiros disponíveis estão exíguos (excluindo é claro aqueles oferecidos por bancos comerciais e que são proibitivos).

Empresas que buscam tais recursos, através de bancos de fomento (nacionais e estrangeiros), investidores profissionais e private equities, terão seus valores de mercado avaliados por diversos fatores (base/carteira de clientes, posição de mercado entre seus competidores, potencial de crescimento, situação econômica/financeira presente), sobretudo, pela existência de processos bem estabelecidos, auditáveis, que garantam o fluxo normal das melhores práticas de gestão/governança.

Para as empresas que são jovens e que enfrentam o desafio do crescimento, a hora é essa. Não adiem o estabelecimento da introdução das boas práticas de governança. Por que passar, num futuro próximo, por um complexo processo de adequação podendo fazer o dever de casa imediatamente?

Assim sendo, essas empresas crescerão com fundamentos sólidos. Estarão preparadas para serem abordadas por capital limpo e mais barato, não deixando dinheiro e oportunidades nas mesas de negociação.

  • Wilson Otero é sócio fundador da Light Dreams Assessoria Empresarial

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