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SXSW: Qual é o futuro dos carros, dos robôs e das viagens interplanetárias virtuais

A startup chinesa NIO apresentou seu carro elétrico autônomo no evento SXSW / CI&T/Divulgação
A startup chinesa NIO apresentou seu carro elétrico autônomo no evento SXSW / CI&T/Divulgação

AUSTIN (EUA)

A cidade de Austin é palco de mais uma edição do South by Southwest (SXSW), entre os dias 10 e 19 de março.

É comum formarem-se filas e mais filas para conferir as sessões mais populares, com palestrantes globais de peso. Num dos pavilhões, expositores apresentam novidades bem futuristas.

É o caso de um carro-conceito 2025, que, não surpreendentemente, parece ser uma sala de estar sobre rodas.

Substituindo pedais e direção, o fabricante inovou o modelo com uma grande tela visível até para quem está fora do veículo, além de bancos superconfortáveis que criam a atmosfera de um chill-out lounge.

A cabine lembra aviões particulares modificados para bandas como Rolling Stones, só que agora com os pés no chão.

Leonardo Mattiazzi, da CI&T / Divulgação
Leonardo Mattiazzi, da CI&T / Divulgação

Empreendedores chineses

O salão de exposições também traz um carro elétrico autônomo em estilo Lamborghini que, inclusive, bateu recorde de velocidade numa pista de corrida, atingindo 256 quilômetros por hora.

O mais interesse desse carro foi o fato de que ele não é uma Ferrari, nem Tesla e nem BMW. É de uma startup chinesa fundada em 2014, chamada NIO, que já tem mais de 2 mil funcionários nos EUA, China e Europa, de acordo com uma engenheira alemã presente no local para atender os visitantes.

A empresa recebeu investimento de investidores do Vale do Silício e da Europa.

O SXSW 2017 é marcado por um movimento de empreendedores e investidores chineses em iniciativas globais, inclusive no Brasil – o que é muito bom para o nosso mercado e ecossistema.

Também é interessante ver o sinal dos tempos: o lançamento de um carro-conceito, agora, acontecendo no Interactive Festival do SXSW e não em um salão do automóvel.

Uma startup também destaca-se por desenvolver um sistema para urban farming (agricultura urbana), dentro de contêineres (desses usados em construções) com água reciclável e geração elétrica solar, que permitem cultivar em seu interior o equivalente à produção de um acre de terra, o ano todo, sem uso de pesticidas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um pé de alface viaja em média 1,8 mil milhas (quase 3 mil quilômetros), da fazenda até o consumidor. Imagine o quão mais saudável seria, para o ser humano e o planeta, consumir o alface orgânico produzido ali mesmo na esquina!

Viagem pelo universo

O South By Southwest traz ainda uma sessão específica sobre planetas, que convida seus espectadores a uma verdadeira viagem pelo universo.

Apaixonados pelo tema, podem conferir dicas incríveis como publicações de vídeos 360º da Nasa no YouTube e Facebook, que possibilitam enxergar o que a sonda Curiosity vê em Marte ou o que o satélite Juno vê em Júpiter.

Indo além, a Nasa criou um ambiente de realidade virtual/realidade aumentada para que pessoas possam se sentir em Marte (Destination Mars). Em 94 dias de exposição, o espaço recebeu 28 mil visitantes, mostrando que o interesse no assunto continua extremamente alto.

Democratizando o acesso a planetas remotos, a Nasa disponibilizou para crianças a experiência de uma viagem a Marte via Google Cardboard, por meio do programa Google Expeditions.

Nesse contexto, uma startup chamada Rendever traz experiências para idosos, que, ao serem questionados, para onde gostariam de ir, na sua maioria responderam: “para o espaço”.

O objetivo é que a experiência traga ainda mais felicidade e entusiasmo nos anos finais de vida, ajudando a combater a depressão.

Humanos e robôs

Uma sessão com painelistas bem interessantes, dois humanos e dois robôs, chamou a atenção dos participantes do SXSW.

Não foi uma aplicação de chatbots (aliás, o assunto tornou-se quase insuportável no evento), mas dois humanoides participando de uma conversa aberta com seres humanos.

Os dois humanos (pesquisadores japoneses da Universidade de Osaka e da NTT), criaram a tecnologia para free discussions, ou seja, conversas em que os robôs argumentam sobre tema livremente, baseados no conhecimento que têm sobre aquele domínio (no caso, o que é melhor: sushi ou lamen?).

Os robôs também demonstraram expressões faciais de emoções (espanto e surpresa, entre outras). Embora ainda haja muito espaço para o desenvolvimento de robôs emotivos, esse é um campo em evolução extremamente acelerada.

Interessante ver a abordagem dos dois japoneses, diferente da dos americanos, que buscam o engajamento emocional entre humanos e robôs com alguns pequenos traços de emoção (voz, pequenas alterações visuais), sem a pretensão de causar confusão sobre o que é humano e o que é máquina.

Enquanto isso, no Japão, parece haver uma obsessão com a construção de robôs extremamente parecidos com seres humanos (o Dr. Ishiguro, da Universidade de Osaka, criou um robô à sua própria imagem e semelhança, e a AndroidYu, como é chamada uma das robôs da demo, já tem um programa na TV em que responde ao vivo perguntas que os espectadores mandam pelas redes sociais).

Por hora, o que está realmente disponível para as marcas é o uso de chatbots (desde que com o cuidado de desenhá-los para que pareçam de fato inteligentes, e não ainda mais irritantes).

  • Leonardo Mattiazzi é vice-presidente de inovação da CI&T

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