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Precisamos debater sobre normas para gestão da inovação

Comissão da ABNT sobre normas de inovação precisa de participação maior / Mikael Hvidtfeldt Christensen/Creative Commons
Comissão da ABNT sobre normas de inovação precisa de participação maior / Mikael Hvidtfeldt Christensen/Creative Commons

Entidades privadas e públicas e a academia brasileira deixam escapar uma oportunidade única de discutir o desenvolvimento de normas internacionais para gestão da inovação.

O Brasil, juntamente com a França, pode ser um protagonista no debate internacional sobre ferramentas e sistemas de gestão de inovação, mas para isso é preciso ampliar a participação dos interlocutores internamente.

Por solicitação da França, a Organização Internacional de Normalização (ISO, na sigla em inglês) criou um comitê técnico para tratar do tema, o ISO/TC 279, do qual participam 47 países, além de organizações como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi).

O Brasil participa nesse comitê por meio da Comissão de Estudo Especial de Gestão da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (CEE-130) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Todavia, o Brasil carece de uma participação mais intensa das organizações envolvidas com pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) na CEE-130.

Precisamos de mais pessoas e mais competências para trocar ideias e construir a posição brasileira junto à ISO.

Nós representamos o país, mas o que chega lá não é pessoal, é o interesse coletivo. São das reuniões da CEE-130 que saem as opiniões do país sobre normas importantíssimas para a inovação, por isso, a participação mais ampla de diversos atores é fundamental.

Somente dessa forma os interesses coletivos estarão a cada dia mais bem contemplados.

Normas técnicas são um meio eficaz para:

  • promover a competição;
  • incentivar a comunicação entre os agentes econômicos;
  • possibilitar a avaliação do desempenho em bases comparáveis;
  • balancear as necessidades do mercado com o interesse público; e
  • facilitar o acesso da inovação ao mercado.

Participação ativa

Júlio C. Felix, da Abipti / Divulgação
Júlio C. Felix, da Abipti / Divulgação

A normalização é um instrumento de consolidação e disseminação de tecnologias, uma ferramenta utilizada nas relações entre todos os 162 países que participam da ISO.

Ou seja, ali está a nata do tema. Quem não é protagonista recebe o que vem pronto.

De nada adianta falarmos diariamente da importância de PD&I, reclamarmos que o governo não prioriza a área e não participarmos ativamente da CEE-130.

A sociedade precisa se empoderar disso. Uma norma é fruto da contribuição de todas as partes da sociedade, ela necessita da participação coletiva, tanto para bem definir as normas brasileiras como para participar das internacionais.

Três normas brasileiras já foram publicadas:

  • ABNT NBR 16501:2011 – Diretrizes para sistemas de gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PDI);
  • ABNT NBR 16502:2012 – Gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PD&I) — Diretrizes para elaboração de projetos de PD&I; e
  • ABNT NBR 16500:2012 – Atividades para gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PDI) — Terminologia.

No comitê da ISO preparam-se outras normas:

  • terminologia (conceitos e definições);
  • sistema de gestão da inovação (a futura norma ISO 50501);
  • métodos e técnicas (para apoiar a gestão da inovação); e
  • avaliação da gestão da inovação.

Trata-se não de normalizar a inovação, mas sim de estabelecer diretrizes consensuais para os processos que apoiam a inovação nas organizações, em particular para a necessidade de sistematizar os seus esforços de inovação.

Desenvolvimento e sistematização

É importante e urgente que a sociedade participe do diálogo estabelecido para o desenvolvimento e sistematização das normas de gestão da inovação e tenha consciência de que as normas internacionais serão publicadas com ou sem a nossa participação.

Essa é uma atividade sem a qual o processo de evolução empresarial nacional não poderá ser bem-sucedido.

A existência de normas claras que estabelecem os termos e as melhores práticas para a gestão da inovação permite promover ambientes inovadores e a redução da incerteza associada à execução de atividades inovadoras.

A relevância desse tema deve ser clara para todos.

Um dos principais problemas do PD&I no Brasil é a falta de compreensão da importância de todos participarem ativamente de espaços decisivos, como a CEE-130.

Um país não consegue se desenvolver substancialmente sem investir em PD&I.

  • Júlio C. Felix é coordenador da CEE-130, presidente da Abipti e diretor-presidente do Tecpar

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