inova.jor

inova.jor

Steve Jobs: ‘É preciso ser um babaca para ter sucesso?’

Documentário sobre Steve Jobs mostra os defeitos do cofundador da Apple / Renato Cruz/inova.jor
Documentário sobre Steve Jobs mostra os defeitos do cofundador da Apple / Renato Cruz/inova.jor

Daniel Kottke foi amigo de faculdade de Steve Jobs e o funcionário número 12 da Apple. No documentário Steve Jobs: o homem e a máquina, pergunta: “Quanto você precisa ser um babaca (asshole, no original) para ter sucesso?”

Disponível na Netflix, o longa-metragem dirigido por Alex Gibney concentra-se nos defeitos do criador da Apple.

Não existe nenhuma grande revelação, mas impressiona ver todas as histórias negativas reunidas num único filme.

Kottke tomou ácido lisérgico e visitou a Índia com Jobs. Montou computadores na garagem em que a Apple foi criada.

Quando a Apple abriu o capital, um diretor da empresa perguntou a Jobs quanto o Kottke receberia em ações, e ouviu a resposta: “Zero”.

No final, Steven Wozniak, que fundou a Apple ao lado de Jobs, revolveu dar algumas de suas ações para Kottke.

Monge sem empatia

O documentário começa mostrando a comoção causada pela morte de Jobs em 2011, lamentada por pessoas em todo o mundo.

A pergunta feita por Kottke é central para o filme.

Como alguém responsável pela criação de produtos tão revolucionários quanto o Macintosh, o iPhone, o iPod e o iPad conseguia ser tão cruel e insensível com as pessoas próximas, como parentes, amigos e funcionários?

Antes de fundar a Apple, Jobs pensou em se tornar um monge budista. Mas não conseguiu convencer seu guru, Kobun Chino Otogawa, de que servisse para isso.

O documentário chama Jobs de “monge sem empatia”. Ele tinha a concentração de um mestre zen, mas era incapaz de se colocar no lugar de outras pessoas e tratá-las decentemente.

Lisa e o computador

Jobs levou anos para reconhecer ser pai de Lisa, fruto de um relacionamento com Chrisann Brennan, sua namorada da época da faculdade.

O cofundador da Apple expressou somente raiva quando ficou sabendo que ela estava grávida e, além de não reconhecer a criança, recusou-se a ajudar financeiramente a sustentá-la.

Quando foi acionado na Justiça, em sua defesa, acusou Brennan de sair com outros homens e declarou ser estéril. Duas mentiras.

Depois de um exame de DNA confirmar a paternidade, Jobs concordou em pagar uma pensão de US$ 500 mensais para Lisa. A Apple tinha acabado de abrir capital e sua fortuna estava avaliada em US$ 200 milhões.

Quem conhecia a história pessoal de Jobs achava sua atitude ainda mais inexplicável. Ele havia sido colocado para adoção pelos pais biológicos e sofria com essa rejeição.

Apesar de não reconhecer Lisa, ajudou a escolher o nome da criança e ainda chamou de Lisa um novo computador, lançado pela Apple antes do Macintosh.

Condições de trabalho

Não era fácil trabalhar com Steve Jobs. Em alguns momentos, ele dizia que sua equipe era formada por artistas e pelos melhores profissionais do mundo. Em outros, os funcionários eram xingados e sofriam humilhações.

O engenheiro Andy Grignon, um dos gerentes de desenvolvimento do iPhone, contou que, quando ficou sabendo que ele havia decidido trocar a Apple pela Palm, Jobs chamou-o para conversar.

O cofundador da Apple disse considerar a empresa sua família, e que Grignon iria se arrepender se abandonasse a família. O executivo teve a impressão de viver uma cena de O Poderoso Chefão.

O documentário lembrou do escândalo das opções de compra de ações da Apple, em que a empresa falsificou a data das operações para beneficiar diversos executivos, incluindo Jobs.

Também deu destaque às más condições de trabalho na Foxconn, que fabrica os produtos da Apple na China, no começo da década. Elas levaram a 18 tentativas de suicídio e 14 mortes em 2010.

Mau exemplo

Apesar do comportamento questionável, Jobs continua a ser idolatrado por empreendedores e executivos ao redor do mundo. Pessoas bem menos brilhantes chegam a usá-lo para justificar suas próprias atitudes ruins.

Uma questão que o documentário não responde é como alguém com tantos defeitos conseguiu criar produtos que impactaram tão positivamente a vida de tantas pessoas.

Existe alguma correlação entre ser um babaca e construir uma empresa bilionária e de sucesso como a Apple?

Prefiro pensar que não.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Evento vai apresentar histórias inspiradoras de mulheres no mercado de tecnologia / Divulgação

Evento discute participação de mulheres na tecnologia

No próximo sábado (27/5), será realizado em São Paulo o evento Mulheres Líderes na Tecnologia, que vai oferecer mentoria e orientação de carreira para mulheres do setor. Trata-se de uma iniciativa da Unlocking the Power of Women for Innovation and Transformation (UP[W]IT), que deve reunir 70 pessoas no Cubo Coworking[…]

Leia mais »
enato Cruz: Como saber se alguém na rede social é um robô

Como saber se alguém na rede social é um robô

O jornalista Renato Cruz comenta a proliferação de robôs nas redes sociais. No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retuitou e agradeceu um perfil falso, que foi suspenso no dia seguinte. Assine o canal do inova.jor no YouTube. Comentários comentários

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami