inova.jor

inova.jor

O que a Universidade de Cambridge diz sobre o Facebook

Mark Zuckerberg teve de explicar o escândalo da Cambridge Analytica em Washington / Lorie Shaull/Creative Commons
Mark Zuckerberg teve de explicar o escândalo da Cambridge Analytica em Washington / Lorie Shaull/Creative Commons

Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, falou bastante na semana passada. Foram 10 horas de depoimento ao Congresso norte-americano.

Ele teve de responder questões fáceis e difíceis. Perguntaram como a rede social ganha dinheiro (publicidade). E perguntaram se o Facebook é um monopólio (ele disse que não).

Ao Senado, ele disse: “Precisamos entender se há alguma coisa ruim acontecendo na Universidade de Cambridge como um todo, que requeira uma atitude mais forte de nossa parte”.

A Cambridge Analytica, foco da crise do Facebook, foi criada por pesquisadores da universidade britânica. Por meio de um aplicativo, eles conseguiram capturar informações de 87 milhões de usuários da rede social.

Privacidade

Ross Anderson, professor de engenharia de segurança do Laboratório de Computação da Universidade de Cambridge, rebateu na New Scientist a afirmação de Zuckerberg.

“Mark Zuckerberg tenta desviar a culpa da crise de privacidade do Facebook apontando o dedo para a minha universidade”, escreveu o professor.

Anderson negou que a instituição tenha feito alguma coisa errada. Ele contou que, quando o pesquisador Aleksandr Kogan quis usar as informações coletadas no aplicativo This Is Your Digital Life em sua pesquisa acadêmica, os comitês de ética de Cambridge rejeitaram o pedido.

O motivo foi o fato de ele ter coletado dados dos amigos dos usuários do aplicativo, que não deram permissão.

O professor também disse que, há quase 10 anos, dois doutorandos escolheram como tema de pesquisa privacidade no Facebook.

Anderson achou estranho, e um deles explicou: “Não esperamos que um cara casado como você saiba disso, mas em Cambridge todos os convites para festas vêm via Facebook. Então, se não está no Facebook, você não vai a festas, não conhece garotas, não faz sexo, não tem filhos e seus genes morrem. É um imperativo darwiniano estar no Facebook, apesar de parecer que não há privacidade. Queremos saber se é possível consertar isso”.

Os doutorandos desistiram seis meses depois. Segundo Anderson, optar pela proteção da privacidade é muito difícil no Facebook.

“A academia tem muito a dizer sobre Facebook e privacidade, mas talvez não as coisas que o sr. Zuckerberg quer ouvir”, escreveu o professor. “O Facebook é poderoso não porque tem ótimos produtos, mas por causa dos efeitos de rede. As pessoas precisam usar as ferramentas que todo mundo usa.”

Anderson destacou que, apesar disso, as pessoas têm aprendido a dar mais valor à privacidade.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Centro de São Paulo vai trabalhar em colaboração com outros 10 centros distribuídos pelo mundo / Divulgação

Capgemini cria centro de excelência para digital e nuvem

A Capgemini, consultoria francesa de tecnologia, abriu um centro de excelência para digital e nuvem em São Paulo. Com cerca de 120 profissionais, a equipe brasileira vai trabalhar em colaboração com outros 10 centros de inovação que a companhia mantém pelo mundo. O centro conta com uma infraestrutura para realizar provas[…]

Leia mais »
Cintia Barcelos reconhece o desafio de aumentar a representatividade feminina em exatas / Divulgação

IBM Brasil tem sua primeira mulher ‘distinguished engineer’

Cintia Barcelos conquistou o título de distinguished engineer (engenheira distinta) na IBM Brasil. Funcionária da empresa há 24 anos, é a primeira mulher na IBM América Latina a ocupar essa função. Além do vasto conhecimento técnico, o título reconhece a capacidade de influenciar o desenvolvimento de produtos da empresa, de[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *