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‘A disrupção tem impacto negativo na sociedade’

Para Rudy De Waele, disrupção costuma criar valor para poucos / Divulgação
Para Rudy De Waele, disrupção costuma criar valor para poucos / Divulgação

No desenho Wall-E, da Pixar, seres humanos obesos servidos por robôs já não conseguem resolver problemas simples sozinhos.

Tudo está disponível ao clique de um botão.

Ao mesmo tempo, os recursos naturais da Terra foram consumidos a ponto de o ambiente não ser mais favorável à vida.

Na semana passada, o futurista belga Rudy De Waele apresentou uma cena dessa ficção científica distópica para perguntar: “É esse o futuro que queremos para as nossas crianças?”

Ele participou, em São Paulo, do evento IBM Cloud Discovery, em sua primeira visita ao Brasil.

Tecnologias exponenciais

“Tudo o que criamos na sociedade industrial não funciona mais”, disse De Waele. “Precisamos pensar profundamente no futuro que queremos criar.”

Segundo ele, tecnologias exponenciais, como inteligência artificial e internet das coisas, vão acelerar a forma como fazemos as coisas. E, se acelerarmos a maneira como nos comportamos hoje, as consequências podem ser bastante negativas.

“Temos de mudar dessa sociedade movida a dopamina para uma sociedade movida a serotonina”, afirmou. A dopamina é a substância química responsável pela sensação de prazer em nosso cérebro.

“A serotonina nos torna mais felizes quando aprendemos algo novo, quando temos interações empáticas com outras pessoas, com família e amigos, quando saímos de casa e praticamos esporte”, explicou o futurista. “Para criarmos futuros mais saudáveis, precisamos de sociedades mais guiadas por serotonina.”

Construção de valor

Seguindo essa linha de raciocínio, De Waele criticou o conceito de disrupção.

“A disrupção foi a palavra da moda dos últimos 10 anos, mas não é mais”, disse o futurista. “Temos visto que a disrupção causa impacto negativo na sociedade, como no caso Facebook e Cambridge Analytica ou com o Uber e o AirBnB em muitas cidades em que as pessoas não os estão aceitando.”

Na sua visão, inovações disruptivas muitas vezes geram valor para poucos. “O modo de seguir em frente é trabalhar em conjunto, num ecossistema de parceiros, que podem ser o governo, governos locais ou outras empresas. Precisamos pensar num resultado que seja bom para todo mundo. Não é admissível simplesmente extrair valor e fugir com ele.”

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