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Há um tesouro escondido nas contas de luz

Tulsa encontrou resposta ao problema dos sem teto nas contas de luz / Nicolas Henderson
Tulsa encontrou resposta ao problema dos sem teto nas contas de luz / Nicolas Henderson

Quanto menor o orçamento de uma cidade, mais valiosas são as suas bases de dados.

Elas são fontes riquíssimas para tomada de decisões pelo poder público sobre seus investimentos e ações, e para o acompanhamento dos resultados obtidos tanto por parte do próprio poder público quanto da população.

Dados que sempre estiveram à mão, como contas de luz, ações judiciais, boletins escolares, registros de buracos nas ruas,  queixas sobre postes e árvores caídas, podem indicar respostas sobre o que priorizar e quando, onde e como agir frente à crônica escassez de recursos das finanças públicas.

Vale a pena beber da experiência da pequena Tulsa, no estado norte-americano de Oklahoma.

No ano passado, seu prefeito, G. T. Bynum, convocou voluntários para dar as mãos aos funcionários do municipais, dando vida a um programa chamado Os pioneiros dos dados urbanos.

Seu objetivo foi criar soluções baseadas na análise de dados da cidade.

Dezenas de cidadãos e funcionários públicos formaram grupos de trabalho com duração de dez semanas cada, com o objetivo de formular indicadores específicos que decifrassem padrões de comportamento da população, dando maior eficácia a uma determinada ação social.   

Um, entre tantos tópicos, mereceu atenção: os sem teto na cidade.

A cidade ostenta um dos maiores índices de ações de despejo dos Estados Unidos, raiz de parte desse problema.

A ideia foi criar um indicador que alertasse, de início, as famílias com sérios problemas financeiros, antes que fossem obrigadas a deixar as suas moradias.

Ação social

Thoran Rodrigues, da BigData Corp. / Divulgação
Thoran Rodrigues, da BigData Corp. / Divulgação

Após estudar o caso, o grupo de voluntários entendeu que a resposta para monitorar o problema estava nas contas de água.

Afinal, antes de uma ação de despejo, as famílias pobres norte-americanas tendem a atrasar suas contas de água.

E, quando param de pagar a água, em pouco tempo são despejadas do local, muitas vezes deixando para trás um imóvel vazio, outra dor de cabeça social.

Nos Estados Unidos, boa parte das casas é construída em madeira. Quando abandonadas, deterioram-se rapidamente. E, não raro, são interditadas e demolidas.

Portanto, ao monitorar a regularidade dos pagamentos de água, a cidade hoje consegue identificar um possível futuro despejo em um estágio em que a ação social é mais eficaz, e certamente mais barata.

Como afirma o chefe de Estratégia de Performance e Inovação de Tulsa, James Wagner, antes do programa, os dados da cidade não passavam de registros. “Hoje, os vemos como tesouros”.

A iniciativa da brigada dos dados mostrou quão sexy podem ser os dados de um município.

Principalmente quando a comunidade é envolvida na discussão e na criação de soluções para questões objetivas.

A experiência dos pioneiros dos dados urbanos de Tulsa lhe rendeu, no ano passado, o prêmio Engaged Cities Award, criado pelo braço de filantropia da Bloomberg.

O truque, no entanto, é saber quais dados cruzar para se construir indicadores eficazes e que não distorçam a realidade em função de premissas equivocadas.

Isso porque indicadores podem carregar o olhar de seus criadores.

Discussões transparentes

A verdade é que, dificilmente, dados são apolíticos. Sempre haverá alguém na ponta decidindo quais informações são coletadas (e quais não o são), quais hipóteses são testadas e, posteriormente, como esses resultados serão empregados.

O importante, no entanto, é contar com discussões transparentes e a participação da comunidade.

Esses dois ingredientes são chave para garantir a orientação do trabalho, desde a etapa da mineração de dados à construção de políticas públicas.

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