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Varejistas transformam o WhatsApp em ferramenta de vendas

A Sandro Moscoloni é uma fábrica de calçados masculinos de Franca que vende pelo WhatsApp / Divulgação
A Sandro Moscoloni é uma fábrica de calçados masculinos de Franca que vende pelo WhatsApp / Divulgação

O WhatsApp está instalado em 91% dos smartphones brasileiros, segundo pesquisa da Conecta. O serviço de mensagens é mais popular até que o Facebook, empresa a quem pertence.

Essa popularidade faz com que varejistas, principalmente de menor porte, adotem o WhatsApp não somente para contato com clientes, mas como ferramenta de vendas.

Um exemplo de quem está fazendo isso é a Petit Pois Enfant, loja de roupas para bebês de Monte Azul Paulista (SP). “Noventa e cinco por cento das vendas são pelo WhatsApp”, afirma Thiago Rodas, sócio diretor da empresa.

A loja tem oito funcionários e cinco trabalham em vendas. “As mães preferem conversar com as vendedoras pelo aplicativo”, explica. “Elas mandam fotos e ficam amigas das vendedoras. Não querem lidar com robôs.”

O movimento da Petit Pois Enfant é de 600 a 650 vendas mensais, segundo Rodas. Apesar de a loja também existir fisicamente, a maioria das vendas são feitas pela internet.

Para empresas

Pelo menos desde o ano passado têm saído notícias de que o WhatsApp prepara uma versão de negócios, para pequenas empresas gerenciarem melhor o contato com clientes. A empresa não comenta essa informação.

Os varejistas ouvidos pelo inova.jor estiveram com representantes do aplicativo no Brasil, para contar como usam a ferramenta e quais são suas principais necessidades.

O WhatsApp tem mais de 120 milhões de usuários no Brasil. Uma pesquisa da Datafolha mostrou que 42% das pessoas usam o aplicativo para se comunicar com empresas e 27% para se comunicar com clientes.

É o caso da Sandro Moscoloni,  que vende pela internet calçados e acessórios masculinos fabricados pela marca em Franca (SP).

Segundo Rafael Santos, consultor de marketing da empresa, o WhatsApp começou a ser usado para a atividade de “resgate” de vendas.

Quando o cliente fazia a compra e não pagava o boleto, um vendedor entrava em contato com ele pelo aplicativo, para convencê-lo a finalizá-la.

A partir dos bons resultados dessa atividade, a loja começou a vender diretamente pelo aplicativo. “Os clientes confiam tanto que mandam até foto do cartão de crédito para pagar”, diz Santos.

Cerca de 20% das vendas são por WhatsApp. O cliente informa o que quer, a vendedora envia fotos dos produtos, o consumidor faz o pedido e recebe o link do boleto para pagar.

“Normalmente, o consumidor que prefere comprar pelo WhatsApp é mais velho, com mais de 35 anos, e das regiões Norte e Nordeste”, explica o consultor.

A Sandro Moscoloni tem quatro vendedoras no WhatsApp.

Funcionalidades

Sediada no Rio, a Shopping Premium é uma loja virtual de roupas e acessórios para mulheres. “Cerca de 40% de nossos atendimentos já começam no WhatsApp”, afirma Luiz Antonio Mac Dowell, proprietário da loja.

Antes de focar no WhatsApp, o varejista chegou a desenvolver um aplicativo próprio, que não teve o resultado esperado.

“Nosso público, que é mais de classes C e D, não quer mais aplicativos, pois seus celulares não comportam”, explica Mac Dowell.

Muitas consumidoras só acessam a internet pelo celular, que não tem configuração muito boa. Por isso, a experiência de compra no site é prejudicada, e elas preferem trocar mensagens com alguém da loja.

Os varejistas entrevistados nesta reportagem apontam algumas funcionalidades que seriam interessantes numa versão empresarial do aplicativo:

  • A possibilidade de vários vendedores usarem um único número;
  • Automação de envio de mensagens;
  • Painel de análise de dados, como existe no Google e no Facebook;
  • Ferramenta de gestão de contatos;
  • Meio de pagamento nativo, para que o consumidor não precise sair do aplicativo para fechar a compra.

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