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Como enfrentar o problema das notícias falsas

Wilson Gomes, Leonardo Sakamoto, Marcelo Bechara e Sérgio Amadeu discutem fake news / Renato Cruz/inova.jor
Wilson Gomes, Leonardo Sakamoto, Marcelo Bechara e Sérgio Amadeu discutem fake news / Renato Cruz/inova.jor

Com a proximidade das eleições, o problema das notícias falsas torna-se mais preocupante.

Distribuídas por redes sociais e aplicativos de mensagens, a experiência internacional mostra que as fake news ocupam lugar central no jogo sujo das campanhas.

Ontem (4/4), durante painel no Seminário Desafios da Internet no Debate Democrático e nas Eleições, foi consenso que, apesar da gravidade do problema, uma intervenção do governo no tema pode piorar as coisas, criando mecanismos de censura.

“Liberdade de expressão é inegociável”, disse Marcelo Bechara, diretor de Relações Institucionais do Grupo Globo.

“Ministério da Verdade, não”, completou Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil. “Pior que mentiras correndo é o Estado decidindo o que deve ou não ser dito.”

O próprio Sakamoto foi vítima desse instrumento de difamação. Em 2015, uma notícia falsa, promovida no Google, acusava-o de receber dinheiro do governo para atacar opositores.

Depois de o jornalista acionar a Justiça, o buscador informou que o responsável pela promoção da fake news em seu serviço era a JBS.

Controlada irmãos Joesley e Wesley Bastista, a JBS tinha sido citada em reportagens da Repórter Brasil sobre problemas trabalhistas e ambientais.

Ódio e polarização

A disseminação das notícias falsas reflete o clima de ódio e polarização que domina hoje a política no Brasil. “O ódio não se limita ao ambiente digital”, afirmou Sakamoto. “Levei murro na Liberdade e fui cuspido em Pinheiros.”

“Os ambientes de polarização geram intolerância e depois violência”, observou Bechara.

O professor Wilson Gomes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apontou que, no caso Marielle, o jornalismo funcionou para desmascarar fake news.

A vereadora Marielle Franco, do Rio, foi assassinada e notícias falsas disseminadas por redes sociais e aplicativos de mensagem procuravam associá-la ao crime organizado.

“Mas, com sua crise de credibilidade, o jornalismo não consegue ser cura, porque é parte do problema”, afirmou Gomes. “As pessoas já não distinguem mais o que é jornalismo.”

“Vivemos a panfakenewslização do mundo”, completou o professor.

O painel foi mediado pelo professor Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC (UFABC). E o seminário foi organizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

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