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Por que a Volkswagen automatizou seus processos

Por que a Volkswagen automatizou seus processos
Braços robóticos tomaram a fábrica da Volkswagen / Divulgação

A fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP), lembra o cenário de algum filme futurista. Funcionários, num uniforme azul padrão, se misturam a máquinas que executam trabalhos complexos e, por vezes, perigosos.

São braços mecânicos que aplicam aerofólios, selam vidros e transportam carros nas alturas, fazendo-os passar por cima da cabeça de quem vê tudo do chão.

No entanto, apesar do que muitas pessoas pensam, essa relação é harmoniosa e se estende por toda a fabricação. Desde o design, passando pela área de testes e indo até o chão de fábrica.

“Hoje, a máquina faz todo o trabalho pesado. E, assim, o perfil do funcionário está mudando”, diz Pablo Di Si, CEO da VW para América do Sul.

Segundo dados divulgados pela montadora, a automação adotada na fábrica aumentou para 70% nos últimos oito anos. No mesmo período, o tempo gasto na fabricação caiu 25%.

Assim, com esse números, a Volkswagen de São Bernardo consegue entregar 1.091 carros por dia. Um a cada 75 segundos. Além disso, houve redução de nove meses no tempo de desenvolvimento de um carro.

Esboços e testes

O inova.jor acompanhou todo processo de fabricação de um automóvel da marca, passando por todas as áreas essenciais.

Primeiramente, a ideia de um carro surge dos esboços de um designer. Ainda que este processo evidencie a importância do lápis, já há serviços que são realizados por uma máquina.

Por exemplo: depois do esboço inicial e dos ajustes com a engenharia, a área de design é encarregada de produzir um protótipo. Anteriormente, era trabalho para vários homens, que precisavam mexer com uma espécie de argila.

Agora, uma máquina faz uma espécie de impressão 3D. E a criação desse protótipo caiu de duas semanas para apenas duas horas.

“O processo começa artisticamente, mas termina de maneira técnica. A máquina nos ajuda a ter noção do que pode ou não ser feito”, diz JC Pavoni, líder de design da Volks.

Já na área de testes, as máquinas estão ainda mais presentes. Pedaços do carro são submetidos à jatos de água, correntes elétricas e temperaturas extremas.

Simulações de ergonomia de um carro caíram de 22 horas de duração para 30 segundos.

“Cada vez temos mais componentes em um carro. Tudo precisa ser testado”, disse Matheus Arantes, desenvolvedor de produtos da área de eletrônicos.

É preciso checar, por exemplo, se o ar condicionado pode funcionar junto com os vidros. Ou ainda, num caso de invasão hacker, se os sistemas não são afetados ao mesmo tempo.

Chão de fábrica

Por que a Volkswagen automatizou seus processos
Funcionários precisam se adaptar à inovação / Divulgação

Já no percurso realizado pela linha de produção, não havia exatamente um predomínio de máquinas sobre homens. Ambos coexistiam e pareciam dividir o trabalho.

Braços mecânicos, principalmente, são vistos fazendo os mais diversos tipos de trabalho durante o processo. E entregam um serviço perfeito para que funcionários o complementem e, de vez em quando, façam checagem desse processo.

Durante o passeio, chamou a atenção um braço que fazia a aplicação de para-brisa. Afinal, logo após realizar sua função, ele fazia um movimento rápido.

Questionada sobre aquilo, a equipe da Volkswagen explicou. Logo depois de aplicar o vidro, com uma forte cola, a máquina se limpa para não sujar a aplicação seguinte.

“É, praticamente, uma outra indústria que temos hoje”, afirmou Pablo, CEO.

Guerra na Volkswagen?

Apesar dessa invasão de robôs em São Bernardo do Campo, não dá para dizer que humanos e robôs vivem em guerra ou algo do tipo.

Quando questionado sobre o desemprego que as máquinas virão a causar, Pablo Di Si logo trata de mostrar seu outro lado.

Segundo ele, a empresa no Brasil contratou 900 funcionários a mais nos primeiros meses de 2019 em comparação com 2018.

“A gente está em busca de funcionários que se adaptem à essas inovações. Quem acompanhar as mudanças, vai nos acompanhar também”, diz.

Além dessas áreas todas citadas, processos internos também estão sendo automatizados. Setor jurídico e de recursos humanos, por exemplo, já estão adotando inteligência artificial.

Mas Pablo alerta: não é possível, hoje, que exista uma fábrica 100% automatizada. Até no setor de design, quando criam a simulação do carro, é preciso de um artista para trazer refinamento.

“Ainda vamos precisar da manutenção das máquinas, engenheiros de software, mentes criativas. Máquina nenhuma substitui”, disse.

“Mas depende de cada um. Quem não entrar na onda de inovação, fica fora do mundo”.

Público da Volkswagen

Com tantas mudanças internas na Volks, o público pode se perguntar o que muda para quem compra e usa o carro.

Atualmente, já existem algumas facilidades que surgem a partir dessa inovação.

O manual, por exemplo, foi transformado num app de inteligência artificial. Ele vai compreendendo questões frequentes e adicionando no banco de dados. Já são mais de 13 mil perguntas e respostas cadastradas.

Além disso, há um aplicativo que, quando conectado com um sensor disponível para carros mais modernos da máquina, mostra a eficiência do automóvel.

Por exemplo: dá pra ver dinheiro gasto com gasolina num percurso, necessidade de revisão e até desbloquear conquistas pessoais.

Para Leandro Ramiro, gerente executivo de marca e comunicação da Volkswagen, é um novo momento para a marca.

“Queremos, cada vez mais, que as pessoas tenham a percepção de que somos uma nova Volkswagen”, diz.

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