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Amdocs: Como o streaming muda o perfil de consumo no Brasil

Evento da Amdocs e do inova.jor discutiu tecnologia e inovação / inova.jor
Evento da Amdocs e do inova.jor discutiu tecnologia e inovação / inova.jor

Os serviços de streaming mudaram a forma com que os brasileiros consomem conteúdo e têm levado empresas a inovar para se adequar a essa nova realidade.

E os desafios estão apenas começando, já que a tendência é que os consumidores, ávidos por ainda mais opções de filmes, séries e outros produtos do tipo, continuem buscando por serviços mais completos e diversos.

Essas são algumas das conclusões trazidas pela pesquisa Desafios de Gerenciamento de Assinaturas 2019, feita pela Amdocs Media em agosto deste ano e apresentada em 17 de outubro durante o Innovation Morning.

Realizado em parceria com o inova.jor, o evento contou com a presença de Cody Boyd, líder de Marketing e Estratégia da Amdocs CALA, para explicar os resultados da pesquisa e convidou especialistas para debater formas de desenvolver produtos e serviços inovadores no Brasil e comentar sobre iniciativas de incentivo ao empreendedorismo já existentes no país.

Segundo Boyd, o estudo buscou responder a quatro questões principais:

  • qual é o perfil do público que utiliza serviços de streaming;
  • o que define um pacote de conteúdos como perfeito;
  • como as empresas devem tratar os dados de seus clientes; e
  • se os consumidores estão – mesmo – avessos a anúncios.

Ao final, porém, o estudo acabou levantando outras questões. “O que mais podemos aprender a partir desses dados? Como aplicar esses dados de forma mais interessante? O que podemos fazer para tentar melhorar a experiência do usuário?”, destacou o executivo.

Brasil x exterior

No Brasil, os maiores consumidores de streaming são os millennials, que têm entre 25 e 35 anos: quase 40% dos entrevistados que diziam usar esse tipo de serviço pertenciam a essa faixa.

É um perfil bem diferente do verificado em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, onde a maior parte dos consumidores passa de 55 anos.

Essa característica também é confirmada quando analisado o perfil empregatício dos participantes: enquanto na América Latina e no Caribe a maioria dos usuários trabalha ou empreende, nos EUA e no Reino Unido são os aposentados que aparecem como parcela relevante nesse mercado.

Outra diferença marcante apresentada por Boyd se refere aos dispositivos utilizados pelos consumidores para acessar aos serviços de streaming.

No Brasil, 54% dos entrevistados disseram usar seus smartphones, 22% a TV e 11% o computador.

O país que mais se aproximou do perfil brasileiro foi o Chile, onde 47% dos usuários deram preferência aos celulares.

Nos EUA e no Reino Unido, porém, a TV é a favorita para 52% e 50% dos participantes do estudo, respectivamente; os smartphones aparecem em segundo lugar, presentes nas respostas de 23% e 20% dos consumidores.

Ainda de acordo com a pesquisa, México, Argentina e Brasil têm a maior penetração dos serviços de streaming, superando países como Chile, EUA e Reino Unido.

e-gaming e e-sports

Amdocs: Evento reuniu profissionais de internet, mídia e telecomunicações / inova.jor
Evento reuniu profissionais de internet, mídia e telecomunicações / inova.jor

Os entrevistados brasileiros também deixam o país em terceiro lugar quanto ao alcance da TV a cabo e em segundo quanto aos streamings de música.

A surpresa aparece em e-gaming e e-sports: no ranking de penetração dos dois setores, o Brasil ocupa as segunda e primeira colocações, nessa ordem.

“É muito interessante”, comentou o executivo da Amdocs. “Quando você pensa em áreas para desenvolver no futuro, fica evidente que essas duas devem receber atenção especial por aqui”.

Boyd ainda comentou sobre os principais desafios enfrentados pelos serviços de streaming. O estudo indica que 79% dos participantes brasileiros pretendem fazer algum tipo de mudança nos pacotes que assinam – seja escolhendo outra operadora, seja adquirindo um pacote diferente da mesma empresa.

Nesse quesito, o país só fica atrás da Argentina, onde 85% dos entrevistados disseram planejar mudanças.

No Brasil, a maior parte (30%) dessas pessoas tem entre 25 e 34 anos e a busca por mais conteúdo (49%) é apontada como principal motivação para a mudança. A economia de dinheiro (36%) e a preferência por conteúdo mais personalizado (29%) aparecem em seguida.

Desafios para as empresas

Amdocs: Aline Sordili, da Record, participou de painel sobre serviços inovadores / inova.jor
Aline Sordili, da Record, participou de painel sobre serviços inovadores / inova.jor

Produzir conteúdo relevante que se adeque às mais diversas plataformas e contemplem o maior número de consumidores possível é o maior desafio das empresas de mídia que buscam espaço no mercado de serviços de streaming.

“A gente sabe que a produção de conteúdo não é escalável”, disse Aline Sordili, diretora de Desenvolvimento e Planejamento em Jornalismo da TV Record. “Mas produzir um conteúdo bom e que caiba em múltiplas plataformas é uma de nossas grandes preocupações. Nós temos a TV, o R7, o YouTube. O Domingo Espetacular, por exemplo, vai ao ar no domingo à noite, mas produz conteúdo para o YouTube todos os dias de semana”, completa.

A mudança necessária, porém, não é apenas tecnológica, mas também cultural. Na visão de Fernando Moulin, diretor de Experiência Digital da Vivo e responsável pela gestão do Meu Vivo, as empresas que querem se adequar a essa nova realidade de consumo de conteúdo devem, em primeiro lugar, mudar a mentalidade e a forma com que atuam.

“Quando cheguei, o Meu Vivo era basicamente nada. Era um canal com diversos problemas de execução, pouco estratégico para a empresa. Hoje somos uma plataforma com mais de 10 milhões de usuários mensais”, contou. “A mudança cultural é o que te faz ter essa transformação de maneira acelerada e em prol do cliente”.

Essa mudança cultural proposta por Moulin, claro, depende muito do perfil de cada empresa e da vontade – verdadeira – de inovar.

Mediatech

Segundo Carlos Octavio, líder de Arquitetura, Tecnologia e Analytics da TV Globo, empresas de tecnologia, como a Amazon e o Google, têm se inserido cada vez mais no mundo da mídia, ao mesmo tempo que as organizações midiáticas vêm se tornando mais tecnológicas, e esse é o tipo de mudança que a Globo procura.

“Ser uma mediatech, para nós, significa manter o DNA de produção de conteúdo que sempre tivemos, mas trazendo a tecnologia como um segundo DNA, já que ela é importante para a entrega de uma boa experiência para esse novo consumidor”, explicou.

Melhorar a experiência dos usuários, aliás, parece ser o principal objetivo dos participantes do painel.

Após comentar sobre a importância dos dados para o direcionamento e personalização da produção de conteúdo das empresas, Carlos foi corroborado por Anwar Nassar, CEO da Lotier International, especializada no desenvolvimento e implantação de soluções de mídia.

“Por exemplo: o fato de as pessoas consumirem muito conteúdo por meio do celular”, disse. “Talvez seja um indício de que as empresas precisam começar a pensar em conteúdos que se adequem à tela desses smartphones, tanto em relação ao formato quanto ao gênero.”

Incentivo ao empreendedorismo

José Scodiero, da Baita, fala sobre empreendedorismo / inova.jor
Amdocs: José Scodiero, da Baita, fala sobre empreendedorismo / inova.jor

Cada vez mais comuns atualmente, as parcerias de grandes empresas com startups têm se mostrado uma maneira de aproximar as grandes organizações da mudança cultural necessária para melhorar os serviços oferecidos e ser capaz de competir nesse novo mercado.

Rodrigo Gruner, diretor de Serviços Digitais e Inovação da Vivo, citou como exemplo a Wayra, hub de inovação aberta do Grupo Telefônica, a quem a Vivo pertence. Do ponto de vista da inovação, segundo o executivo, a iniciativa é “fundamental”.

“Não só aqui no Brasil, mas em todos os países em que o Grupo Telefônica está presente, justamente por aproximar as startups dos novos negócios pretendidos por nós”, disse Gruner. “A Wayra nos coloca próximos desse ecossistema [de inovação] e traz para a empresa não só oportunidades de negócio e de parcerias com essas startups, mas também de absorção da mentalidade dessas startups, o que talvez seja um dos melhores benefícios que podemos ter. A gente precisa fazer com que a inovação seja uma cultura, uma forma de atuar das grandes empresas.”

Essa aproximação, contudo, deve ser feita de forma cautelosa. Para os painelistas, é preciso preservar a essência individual das grandes empresas e das startups para que as duas possam coexistir harmonicamente e oferecer o melhor serviço possível aos consumidores.

“O mundo da tecnologia juntou com o mundo do empreendedorismo, que juntou com diferentes modelos de negócio”, afirmou Jose Antonio Scodiero, cofundador da aceleradora Baita. “As empresas começaram a querer falar a mesma língua das startups. Mas não adianta, tem que ser diferente. As duas têm que preservar suas particularidades.”

Os convidados também concordam que o principal erro das grandes empresas nesse processo é não absorver das startups o que de fato é relevante para seu negócio e seus clientes.

“As empresas ficaram um pouco arrogantes com o tempo, achando que sabiam de tudo”, avaliou Ricardo Engelbert, professor do ISE Business School. “Tive clientes que me disseram ter comprado uns pufes, uma mesa de pebolim e oferecido comida de graça para seus colaboradores, achando que isso traria o espírito de uma startup para sua organização. Só a mudança tecnológica não basta. É preciso uma mudança cultural, e as startups já perceberam isso.”

Cody Boyd, da Amdocs, apresentou pesquisa sobre streaming / inova.jor
Cody Boyd, da Amdocs, apresentou pesquisa sobre streaming / inova.jor

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