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Economia do compartilhamento é novo marco para a inovação

Compartilhamento é uma forma hibrida entre usar e possuir/ Renato Cruz/inova.jor
Compartilhamento é uma forma hibrida entre usar e possuir/ Renato Cruz/inova.jor

O compartilhamento de tecnologias, ideias, dados e ativos físicos sempre existiu, mas ganhou um extraordinário impulso a partir do desenvolvimento da internet e seus aplicativos.

Os avanços das tecnologias da informação e da comunicação ao longo dos últimos 40 anos permitiram o surgimento de inovações disruptivas como a inteligência artificial, a computação em nuvem, o big data analytics e o blockchain.

Compartilhar é uma forma híbrida entre usar e possuir que foca no que é mais imediato aos consumidores, que é o uso do produto ao invés de sua posse.

Tecnologias que vinham se desenvolvendo de forma mais ou menos isolada ganharam sinergias a partir da difusão e do aperfeiçoamento da internet, possibilitando novos conceitos de integração como a internet das coisas e a manufatura 4.0.

Do ponto de vista econômico, o compartilhamento de produtos e serviços abre a possibilidade de transformar bens em serviços, agregar serviços aos produtos e desenvolver novas interfaces entre ideias, pessoas e “coisas”.

Novos modelos de negócios promovem uma hipersegmentação dos mercados, combinando módulos de produtos e serviços para atender demandas diferenciadas.

O ambiente evolui de empresas isoladas e mercados definidos para uma estrutura transversal definida como plataformas tecnológicas que reúnem tecnologias e componentes padronizados e servem de base para o desenvolvimento de bens e serviços.

Plataformas online facilitam a intermediação entre a oferta e demanda e otimizam a alocação de recursos.

Revolução tecnológica

Paulo Tigre, da UFRJ / Divulgação

Plataformas digitais como Google, Facebook, Amazon, Mercado Livre, Alibaba, Uber e Airbnb constituem a base tecnológica para atrair clientes e parceiros externos que aportam inovações complementares no âmbito de seus ecossistemas.

Dessa forma, as plataformas dependem dos “efeitos de rede”, ou seja, quanto mais usuários a adotam, mais valiosa elas se tornam para proprietários e usuários.

Elas permitem o desenvolvimento de novas formas de interação entre agentes do mercado, facilitando a substituição ou eliminação de intermediários tradicionais como lojas físicas, agentes de viagens, corretores de imóveis etc. por plataformas online que oferecem serviços mais abrangentes, rápidos e eficientes.

Para explorar as múltiplas dimensões teóricas e práticas destes desafios, Alessandro Pinheiro e eu coordenamos o livro Inovações em Serviços na Economia do Compartilhamento (Editora Saraiva, 2019) que contou com a colaboração de uma equipe interdisciplinar.

A metodologia de análise compreendeu a revisão dos aspectos teóricos da inovação em serviços e da economia do compartilhamento, a análise de temas transversais e abordagens setoriais.

O processo de revolução tecno-econômica-institucional suscita inúmeras questões importantes para todos nós:

  • Como inovar e sobreviver em um ambiente de negócios disruptivo?
  • Como proteger a propriedade intelectual no mundo do streaming e da inteligência artificial?
  • Como aprender em redes formais e informais do conhecimento?

Essas são algumas das questões exploradas em nosso livro

  • Paulo Bastos Tigre é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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