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Os efeitos de rede e a disseminação do coronavírus

Lavar as mãos é uma das medidas contra o coronavírus / Pixabay
Lavar as mãos é uma das medidas contra o coronavírus / Pixabay

A Lei de Metcalfe diz que o efeito de uma rede de telecomunicações é proporcional ao quadrado do número de usuários conectados a essa rede.

Nos últimos 40 anos, desde que esse efeito exponencial foi percebido pelo engenheiro Bob Metcalfe, cocriador do padrão Ethernet, o estudo das redes avançou bastante, com aplicações em inúmeras áreas.

Quando falamos em redes sociais, normalmente pensamos no Facebook ou no Twitter, mas formamos redes sociais fora também dos meios digitais.

O estudo dos efeitos de rede tem impacto concreto nas medidas tomadas para desacelerar a disseminação do coronavírus, e justifica as restrições impostas à circulação de pessoas.

Coronavírus: Evolução exponencial dos casos de covid-19 / OMS
Evolução exponencial dos casos de covid-19 / OMS

Matriz de contatos

Reportagem recente do New York Times mostrou o trabalho da pesquisadora Ana Pastore y Piontti, nos Estados Unidos, que calcula o efeito do fechamento de escolas na disseminação do vírus.

Ela usa dados do censo para determinar quantas pessoas vivem em cada casa e qual é a idade delas.

A partir disso, desenha um mapa mostrando os contatos de cada morador com outras pessoas no trabalho e na escola.

A análise pode mostrar, por exemplo, que “um garoto de 12 anos, que vive no centro de Redmond, em Washington, perto de Seattle, tem contato regular com os pais, a irmã e, em média, 20,5 colegas na escola local”.

A pesquisadora repete o estudo com cada uma das casas da região e inclui informações sobre viagens de avião, trem ou ônibus, quando disponíveis.

A partir dessa “matriz de contatos”, ela pode depois subtrair as interações que acontecem nas escolas, tendo uma estimativa do impacto do fechamento dos estabelecimentos de ensino na comunidade.

Mundos pequenos

Existem redes caracterizadas como “mundos pequenos”, em que alguns atores de ligação transitam e conectam aglomerações aparentemente distantes.

Isso explica a disseminação da doença entre países, regiões e grupos sociais diferentes.

Niall Ferguson escreveu sobre isso no Wall Street Journal:

“Um homem de negócios britânico que foi de uma convenção em Cingapura para uma temporada de esqui nos Alpes Franceses foi um dos muitos supertransmissores a ser identificado nessa epidemia. O vírus chegou à Suíça por meio de um grupo de pessoas em férias vindas da Itália.”

Quarentena

A chanceler alemã, Angela Merkel, alertou que 70% da população do seu país pode ser contaminada pelo coronavírus.

E isso vale para qualquer lugar do mundo, já que ninguém tem ainda imunidade contra a doença.

O importante neste momento é desacelerar o crescimento exponencial da doença, para que haja recursos médicos suficientes para quem precisa.

Diferentemente da dengue e da zika, o coronavírus é transmitido por pessoas.

Por isso, mesmo para quem se sente bem e pertence a grupo de baixo risco, o melhor é evitar contatos sociais.

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