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Inovação é processo de ganhos mútuos

Inovação: Executivos da Philip Morris visitaram o Porto Digital / Divulgação
Executivos da Philip Morris visitaram o Porto Digital / Divulgação

Na era da disrupção e dos unicórnios, empresas tradicionais, às vezes com séculos de atuação, estão sendo desafiadas a ousar.

E muitas delas têm apresentado boas histórias sobre como romper com padrões estabelecidos e transformar setores produtivos inteiros, inspiradas e alicerçadas na inovação.

Nem sempre é fácil. Estruturas consolidadas, posição confortável no mercado, medo da mudança, burocracia e cultura interna podem jogar contra os primeiros movimentos. Mas, em determinado momento, não há mais escolha: é mudar ou morrer.

Se essa pressão não ocorrer de dentro para fora dos muros da empresa, antecipando as expectativas de cidadãos, clientes e consumidores, certamente virá de uma demanda da sociedade.

O setor do tabaco, um dos mais tradicionais entre todas as atividades econômicas, está diante deste cenário.

Em transição

Leonardo Sotocorno, da Philip Morris Brasil / Divulgação
Leonardo Sotocorno, da Philip Morris Brasil / Divulgação

A Philip Morris International, por exemplo, incluindo a subsidiária brasileira, se antecipou e hoje passa pela principal transformação de sua história, com a meta de deixar de fabricar cigarros e atender a um desejo de adultos fumantes ao redor do planeta que querem contar com alternativas menos nocivas.

Esse movimento trouxe consigo uma série de outras mudanças, gerando o envolvimento das equipes de todas as áreas, com o objetivo de fazer diferente – e melhor – o que já vinha sendo realizado com sucesso.

Um aspecto fundamental tem sido o envolvimento da liderança. É sabido que, sem o patrocínio direto da alta gestão, as equipes terão pouca força para promover qualquer mudança.

Executivos da empresa desembarcaram em Pernambuco para conhecer o Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) e startups do ecossistema do Porto Digital, na capital pernambucana, considerado um dos maiores centros tecnológicos do mundo.

Os profissionais foram apresentados ao ambiente de inovação, a oportunidades de parcerias e negócios e assistiram seções de pitch de algumas startups com focos variados.

Metodologia ágil

O investimento em pessoas também vem sendo crucial.

Não apenas nos próprios funcionários, com a capacitação e formação de equipes multidisciplinares (squads) e a adoção de metodologia agile, mas também na busca de experiências, visões diferenciadas e conhecimento por meio de parcerias com startups e universidades.

É uma forma de investir em capital humano, ainda na base de sua formação, para a melhoria dos índices de mão de obra qualificada no País. 

No final do ano passado, uma parceria com a Onovolab, um dos maiores campus independentes de inovação do Brasil, que reúne empreendedores, startups, especialistas e alunos de instituições renomadas como as Universidades de São Paulo (USP) e Federal de São Carlos (Ufscar), atacou um dos pontos que mais afetam a rentabilidade do varejo: a previsão de demanda.

Um algoritmo criado por designers, cientistas da computação, matemáticos e estatísticos, incorporado a uma ferramenta de inteligência artificial, conseguiu aumentar em até 10 vezes o nível de acerto da demanda pelas marcas de cigarros da empresa.

Com isso, o comércio consegue ajustar seus pedidos com base em dados concretos, o que evita perdas, pois impede que produtos fiquem estocados por muito tempo ou, ao contrário, o consumidor não encontre a marca desejada no momento da compra.

Inovação com universidade

A empresa também se aliou à Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) para um programa com benefício de mão-dupla, desta vez com impacto para sua unidade fabril, localizada no município gaúcho de mesmo nome.

Estudantes de diferentes cursos foram capacitados para os desafios do mundo do trabalho, por meio da experimentação e troca de conhecimentos.

Os grupos de estudantes trabalharam para encontrar soluções em três diferentes processos de manufatura – gestão de peças, qualidade das matérias-primas e gestão de resíduos – supervisionados e orientados por profissionais da empresa e por professores.

Um pitch day levou à escolha de um time vencedor, que participou da Silicon Valley Conference, um dos maiores eventos brasileiros sobre as inovações desenvolvidas no Vale do Silício.

Neste ambiente de troca de conhecimento, os avanços são exponenciais: mostram que, independente da área de atuação, o foco no cliente e a revisão permanente de processos, reduzindo desperdícios e melhorando o que já é feito, beneficiam a todos e são vitais para que as empresas se perpetuem e deem as respostas que a sociedade exige de maneira cada vez mais direta.

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