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Inteligência artificial pode beneficiar saúde mental no trabalho

Inteligência artificial ajudará a cuidar da saúde mental de funcionários / Unsplash
Inteligência artificial ajudará a cuidar da saúde mental de funcionários / Unsplash

A saúde mental relacionada ao trabalho tornou-se uma questão urgente para as empresas em todo o mundo.

No Reino Unido, uma pesquisa de força de trabalho apoiada pelo governo descobriu que o número total de casos de estresse, depressão ou ansiedade relacionados ao trabalho em 2018 e 2019 foi de 602 mil, resultando em uma perda de 12,8 milhões de dias de atividade.

Um estudo recente liderado pela OMS também estimou que os transtornos de depressão e ansiedade estão custando à economia global US$ 1 trilhão de dólares por ano em perda de produtividade.

A boa notícia é que a inteligência artificial (IA) e o aprendizado baseado em máquina têm o potencial de ajudar significativamente no local de trabalho, uma vez realmente estabelecidos.

Em sua forma atual, a IA é principalmente um mecanismo de suporte.

Olhando para o futuro, no entanto, seu impacto na saúde mental dos funcionários pode ser significativo.

Gerenciar e priorizar a carga de trabalho

Luís Banhara, da Citrix / Divulgação

A questão das longas jornadas e das horas extras é um fator que contribui para a saúde mental no local de trabalho.

Um estudo recente da Citrix em nove países (Reino Unido, França, Alemanha, Itália, México, Canadá, Noruega, Suécia e Dinamarca) descobriu que é comum que 86% dos funcionários de escritório trabalhem fora do horário de sua preferência.

Desses funcionários, quase metade (47%) está trabalhando horas adicionais diariamente ou quase todos os dias.

Em meio a uma epidemia de horas extras e cargas de trabalho crescentes, a IA tem o potencial de ajudar os indivíduos a priorizar melhor.

Uma vez que a máquina inteligente teve a chance de aprender sobre a função de trabalho de uma pessoa, ela será capaz de recomendar a ordem em que ela deve lidar com tarefas e projetos, com foco central em seu bem-estar.

Por exemplo, após um trabalho exigente ou intenso, o sistema pode decidir recomendar uma tarefa simples e feliz, para ajudar o indivíduo a relaxar e recalibrar, ou para garantir que ele possa sair do escritório a tempo.

Automação de tarefas comuns

A falta de engajamento dos funcionários é uma causa cada vez maior de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho e geralmente se deve ao serviço tedioso, à sobrecarga de trabalho e ao aumento dos níveis de estresse.

Um estudo recente da Gallup descobriu que 85% das pessoas em empresas ao redor do mundo estão desinteressadas, o que significa que os funcionários, na melhor das hipóteses, não estão se esforçando ou fornecendo suas melhores ideias e, na pior das hipóteses, estão resistindo ativamente à organização em que trabalham.

No entanto, uma vez que o espaço de trabalho inteligente tenha sido personalizado para o papel e as necessidades de um indivíduo, existe o potencial para o computador assumir aspectos das tarefas diárias de uma pessoa, removendo distrações, atividades monótonas e tediosas.

É importante que o sistema perceba diferenças sutis ou mais perceptíveis entre um funcionário e outro, e automatize apenas o que é útil para o indivíduo.

Nem tudo será automatizado e, se o indivíduo gosta de tarefas mais leves e menos desgastantes, pode optar por mantê-las.

Experiência de tecnologia simplificada

A experiência de tecnologia da informação (TI) de hoje é centrada na aplicação e no dispositivo, colocando restrições nas maneiras como o espaço de trabalho digital de um indivíduo pode ser configurado, o que pode criar frustração e estresse desnecessário.

No entanto, conforme a tecnologia de inteligência artificial cresce em sofisticação, ela se tornará cada vez mais contextualizada e se concentrará na tarefa ou no resultado que o usuário está tentando alcançar e não na aplicação ou ferramenta que está usando.

Além disso, a experiência geral com a tecnologia também será simplificada.

O indivíduo só verá um subconjunto de microapps e aplicações, relevantes para a tarefa em mãos, que serão personalizadas para eles em uma interface.

Tudo isso ajudará a reduzir o estresse relacionado à tecnologia e evitar que os trabalhadores se sintam sobrecarregados.

Monitoramento de estresse e saúde mental

Há muitas pesquisas em andamento sobre como a tecnologia de IA pode ser usada para detectar e diagnosticar condições de saúde mental, e isso também tem potencial no local de trabalho.

No futuro, os sistemas de IA podem monitorar a enunciação de palavras e o tom de voz de um funcionário identificando sinais de estresse, detectando pistas linguísticas que podem prever depressão, analisando picos na frequência cardíaca, aumento na velocidade de digitação ou uma desaceleração na produção, o que podem representar sinais de alerta para o empregador.

Relógios inteligentes ou dados biométricos, incluindo expressão facial, por exemplo, também podem entrar em jogo para ajudar na detecção em tempo real de problemas de saúde mental.

Com essas informações, podem ser entregues tarefas adequadas aos níveis de estresse de um indivíduo.

O futuro

Acima de tudo, o surgimento da IA tem o potencial de permitir que os trabalhadores se sintam mais engajados em suas funções e mais felizes em seu local de trabalho.

Haverá obstáculos, incluindo questões de privacidade, bem como garantir que os trabalhadores se sintam confortáveis e dispostos a aceitar vários níveis de monitoramento.

Será essencial que existam protocolos em vigor para garantir que o desenvolvimento da IA seja seguro e relevante, com compreensão contextual, construída com o indivíduo e seu bem-estar em mente.

No entanto, se gerenciados com responsabilidade, os benefícios gerais podem ajudar a reduzir a crescente crise de saúde mental no local de trabalho.

  • Luis Banhara é diretor geral da Citrix no Brasil

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